O Governo aprovou, na semana passada, uma bolsa para médicos que queiram ir trabalhar para o interior do país, com o objectivo de fixar clínicos em zonas com falta de especialistas.
O decreto-lei que estipula a atribuição das bolsas é de Fevereiro de 2009, mas só agora foi definido o valor a atribuir a partir de Janeiro, que é de 750 euros por mês. No total, há 179 vagas previstas em 2010, num investimento de 1,6 milhões de euros, sendo que o incentivo obriga a ficar nos hospitais e centros de saúde pelo mesmo tempo que dura a formação, entre cinco a sete anos. Se não cumprirem, têm de devolver o dinheiro. Este incentivo à mobilidade na área da Saúde motivou, na passada sexta-feira, algumas críticas por parte do presidente da Câmara da Guarda, durante a cerimónia comemorativa do Dia da Cidade. Ressalvando não ter «nada contra», no plano dos princípios, Joaquim Valente considerou que «este tipo de políticas já no passado deu apenas um resultado a curto prazo». Além disso, o autarca entende que «pode fomentar algum sentimento de injustiça, e com certa razão, junto daqueles que aqui vivem, trabalham ou desenvolvem os seus projectos por opção e paixão». «Estar no interior pode ser um acto de resistência mas não deve ser uma extravagância, uma obrigação e nem um sacrifício», argumentou. Para o autarca da Guarda, o desafio está em «criar condições para que ninguém fique de fora, nenhum cidadão precise de sair do concelho à procura de emprego e para que os jovens aqui se possam fixar». E ainda «para que outros venham, de livre vontade», conclui.


