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Militantes do PSD descontentes com líder da concelhia da Guarda

Carlos Gonçalves pede eleições antecipadas, enquanto Ana Manso diz que houve «campanha de amadores» nas autárquicas

Após a derrota histórica do PSD na Guarda, em que o partido registou o segundo pior resultado em eleições autárquicas, são várias as críticas de militantes ao presidente da concelhia e já há quem peça a sua demissão. João Prata diz estar «insatisfeito» com a prestação do partido, mas entende que não há razões para se sentir «desconfortável» no cargo. Entretanto, a direcção da estrutura guardense já reuniu para analisar os resultados, tendo sido agendado um plenário de militantes para 20 de Novembro.

Um dos mais descontentes com o dirigente “laranja” é Carlos Gonçalves, que defende que João Prata não tem condições para continuar em funções e que se deve avançar, por isso, para a realização de eleições antecipadas. «As derrotas têm rostos e nestas um deles é o do presidente da concelhia», analisa o militante – que concorreu contra João Prata nas últimas eleições para a liderança da estrutura partidária. Referindo que o PSD «esteve de facto muito mal» nas autárquicas, Carlos Gonçalves diz que «quem não se sente confortável são os militantes, que não se revêem nos resultados». O social-democrata, que já foi vereador na autarquia da capital de distrito e presidente da concelhia, não adianta, para já, se voltará a estar na corrida à presidência da direcção num cenário de eleições antecipadas. Confrontado com o facto de não ter alinhado na campanha do PSD, em detrimento do apoio à candidatura do CDS à Câmara – que foi liderada pela sua esposa, Cláudia Teixeira –, o militante considera que isso não lhe retira força para pedir uma nova direcção na concelhia. «Não estive ao lado da candidatura do CDS, mas ao lado da minha esposa», argumenta, defendendo que «cada vez mais as autárquicas são personalizadas».

«Os responsáveis pela pior derrota do PSD desde 1976 têm de assumir claramente as suas responsabilidades», afirma, por seu turno, Ana Manso, para quem os resultados do 11 de Outubro «obrigam a um período de reflexão». Quanto à eventualidade de haver eleições antecipadas, Ana Manso diz apenas que «não, quando as pessoas estão de consciência tranquila quanto à mobilização para a campanha e para uma organização clara». Porém, a antiga dirigente distrital, que vai deixar o cargo de vereadora na autarquia, entende que «não houve essa organização», considerando que «o que se viu foi uma campanha de amadores» ou «uma não campanha». Já Manuel Rodrigues, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal nos últimos quatro anos, é mais contido nas críticas a João Prata por considerar que o assunto deve ser primeiro discutido «nos locais próprios».

«Nunca antes o PSD conseguiu tantos presidentes de Junta»

Ainda assim, afirma que «o presidente da concelhia fez uma opção e, como tal, tem que assumir as responsabilidades pelos resultados». Outro dos militantes ouvidos por O INTERIOR foi Jorge Libânio, adversário de João Prata nas eleições para a concelhia, que diz querer «discutir o assunto internamente primeiro», acrescentando apenas que se deve analisar em plenário «se será melhor para o partido antecipar eleições ou aguardar pelo fim do mandato» da actual direcção, que é em Abril. Apesar de admitir que os resultados «não foram positivos para o PSD», João Prata considera que «há factos a ter em conta», como «o envolvimento de cidadãos independentes, que Crespo de Carvalho conseguiu mobilizar». Além disso, o dirigente destaca que «nunca antes o PSD conseguiu tantos presidentes de Junta, que chegaram aos 15», entre candidaturas próprias e lideradas por independentes. Outro aspecto focado pelo líder da concelhia guardense é a «entrega total» por parte de membros desta estrutura nas autárquicas, sendo que quatro encabeçaram listas às freguesias de S. Miguel, Trinta, Marmeleiro e Sé, tendo os sociais-democratas perdido só nesta última. Para além da marcação do plenário de militantes, a concelhia decidiu também criar um gabinete de apoio a todos os que foram eleitos nas diferentes freguesias, sendo que estão a ser realizadas reuniões com os autarcas do PSD. Entretanto, para sábado está marcado um jantar para todos os que integraram as listas sociais-democratas.

João Prata está a ser alvo de críticas por parte de militantes

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