A Casa da Cultura de Famalicão esgotou a lotação, no passado fim-de-semana, com a estreia de “O Rebusco das Castanhas”, uma criação artística da coreógrafa Susana Gaspar, a partir de uma ideia de Victor Amaral.
O espectáculo – uma espécie de testamento de uma tradição local caída em desuso, mas também desta comunidade – envolveu 35 pessoas da aldeia, entre as quais alguns dos últimos pisadores de castanhas de Famalicão, com mais de 70 anos de idade. Nesta coreografia, mulheres e crianças cruzaram-se com os pisadores, discursando, sem palavras, sobre o seu universo e a sua concepção do mundo através de rituais de trabalho, gestos, brincadeiras, correrias e bailes, animados pela música da fanfarra NemFáNemFum. «Todos juntos constroem um limbo, entre o passado e o presente, que só podia acontecer no palco, e que desvenda os misteriosos conflitos entre o que esta comunidade foi e o que ela é agora», refere a produção. O “Rebusco das Castanhas” foi co-produzido pela Casa da Cultura e Centro Cultural de Famalicão, com apoio da Câmara da Guarda, e vai integrar o projecto de itinerância “Andarilho”, dinamizado pela autarquia.



