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O homem sonha e a obra acontece

Sinais do Tempo

Então como vais? Vou andando e tu? Sei lá… está cá uma brasa, não sei se isto é bom ou mau, mas a coisa está feia. Qual coisa? A coisa, claro! Ah pois a coisa está feia, nem se fala de outra coisa. Pois é, não sei onde isto vai parar. Isto? Pois isto. Pois, pois, a gripe suína? Já diagnosticámos dois casos, estava a ver que as análises do Instituto Ricardo Jorge não eram de confiança. Pois, mas a coisa ainda pode piorar. Achas? Claro quando chegar o Inverno. Olha que agora até dava jeito, está cá um calor. Ainda estás na mesma empresa? Claro, isto não está para andarmos a mudar. Eu continuo no desemprego à espera que se resolva. À espera que se resolva o quê? Que apareça alguma oferta. Oferta? Pois no princípio da legislatura prometeram uma grande quantidade de empregos e já têm pouco tempo para cumprirem. E tu estás à espera que eles cumpram? Claro. Olha, depois dessa promessa veio isto, esta coisa a que chamam crise e claro que já não vão conseguir cumprir nada do que prometeram. Pois, então vou andando, já estou atrasado. Atrasado? Então afinal estás a trabalhar. Não estou nada, vou ao Hospital. Mas estás doente? Fui convocado. Alguma Junta Médica? Não, fui convocado para assistir ao lançamento da primeira pedra e tenho que ir porque estou convencido que ele vai cumprir.

Usted dieben botar Zapatero piorque ieu, vienho de Lisbona de propósito para la abertura de la campanha eleitorale per las europeasss. Assim, mais ou menos por estas palavras, me perdoem porque não estou obrigado ao rigor jornalístico, se dava início à campanha para as europeias numa “joint venture” ibérica em que Sócrates se exprimiu num castelhanês muito pior que o francês de Mário Soares. Todos sabemos que o engenheiro Sócrates fez uma cadeira na faculdade, denominada “inglês técnico”, que tanta celeuma levantou, mas desconhecíamos que tivesse frequentado qualquer curso de espanhol (castelhano) e se o fez será melhor não revelar onde, porque deixaria a instituição em maus lençóis. De Valência regressou a Portugal e uns dias depois à Guarda. A campanha continua, ora pela mão do Engenheiro Sócrates, Secretário Geral do PS, ora do Primeiro-Ministro, distinguindo-se pelo uso da gravata.

Alguns anos (e eleições), algumas mudanças de projecto (sempre pelo mesmo projectista), algumas promessas (entre o novo hospital e hospital novo) depois, foi-nos dada a oportunidade de ver lançada a primeira pedra da ampliação do Hospital Distrital da Guarda. Dois dias antes era ver a azáfama com colocação de painéis e bandeiras a simular um estaleiro. Montou-se uma tenda e colocaram-se cadeiras. O povo e os profissionais da ULS (também eles povo) compareceram e puderam testemunhar que a pedra por lá ficou. Os discursos foram de agradecimento e reconhecimento pelo empenhamento do Primeiro-Ministro, afirmando-se que tudo foi conseguido em tempo recorde, esquecendo-se que estas promessas já passaram por outras legislaturas e que, inclusivamente, chegou a ser efectuado um primeiro projecto que esteve exposto nas últimas eleições autárquicas. Esta obra de ampliação tem vinte e dois meses para estar acabada. E a reabilitação do restante edifício fica agendada para quando? O que perdemos e o que ganhámos na noite em que se decidiu extinguir o Centro Hospitalar da Beira Interior e formar a ULS da Guarda? Só o futuro o dirá, mas numa época em que os Hospitais são obrigados a contratar clínicos reformados, para suprir as suas falhas, daria imenso jeito unir esforços e rentabilizar as existências, podendo assim avançar para técnicas de ponta e prestar melhor serviço à população. Como é possível falar no discurso em tecnologia de ponta de RX, a instalar depois das obras, quando o Hospital continua a não ter a tempo inteiro médicos radiologistas e a ULS dispõe apenas de um? Mas deixemos estas questões técnicas serem discutidas dentro da ULS.

Para o bem ou para o mal as decisões foram tomadas, mas a agradecer a alguém… agradeça-se ao Dr. Correia de Campos, ex Ministro da Saúde.

Por: João Santiago Correia

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