Parece haver clubes a mais na cidade da Guarda e, ironicamente, nenhum consegue ser «uma referência». Esta constatação esteve em destaque no debate sobre o futuro do futebol na Guarda organizado pelo NDS na passada quinta-feira. Na iniciativa em que participaram cerca de 30 pessoas, entre dirigentes de sete clubes do concelho, representantes da Câmara e da Associação de Futebol (AFG), também se ouviram críticas aos atrasos nos pagamentos dos subsídios camarários.
Faltaram à “chamada” o Guarda Unida, Sequeira, CDC Pinheiro, Gonçalense, Lameirinhas, Beirões e Castanheira. Outro dos temas que concentrou mais atenções foi o de uma eventual complementaridade entre os vários clubes existentes. O primeiro a abrir as hostilidades foi Abílio Capelo, para quem «o aparecimento de muitos clubes com os mesmos objectivos e que acabam por colidir uns com os outros» é negativo. «Se pudéssemos seguir um rumo que ajudasse a Guarda a melhorar e a conseguir performances e divisões que hoje são impossíveis seria benéfico», desafiou o vice-presidente do NDS. No mesmo sentido, Luís Aragão defendeu que esta seria uma opção «muito importante» e que «só assim conseguiremos elevar o nível da participação e dignificar o futebol na Guarda». O presidente do clube anfitrião salientou as vantagens desta solução e desafiou os actuais dirigentes a pensar seriamente nela: «Trata-se de deixarmos de fazer todos a mesma coisa», disse, avisando que «cada clube tem de abrir mão de algo para ser possível fazer um melhor trabalho».
No entanto, o responsável afastou a hipótese de fusão, à semelhança do presidente do Guarda Futebol Clube: «Quando se fala em complementaridade é estar disponível para negociar, sendo que defender a Guarda será reunir o que cada clube tem de melhor», sublinhou Carlos Chaves Monteiro. Mais cépticos estiveram outros dirigentes, como Segura Fernandes, do Guarda 2000, que lembrou que «a complementaridade exige sacrifícios de todos» e disse não saber «se há clubes a mais» no município. Quanto a António Moreira, do Mileu, questionou «quais devem ser os clubes de referência? E de formação? E quem vai abdicar de escalões?». Também o presidente da AFG pôs “o dedo na ferida”: «A Guarda tem clubes a mais e não tem um de referência como teve em tempos com a Desportiva. Não há bairrismos que resistam quando uma cidade tem oito clubes, entendam-se», apelou.
Já o coordenador técnico da associação adiantou que a cidade tem praticantes a mais em determinados escalões etários, constatando que «são muito poucos os que continuam a jogar quando acabam a formação». Assim, Carlos Sacadura considerou que «falta a referência de um clube que aglutine os melhores saídos da formação». Carlos Chaves Monteiro criticou ainda a «má utilização dos equipamentos, para além das suas deficiências», argumentando que um relvado sintético seria «mais adequado» ao número de clubes existentes. O mesmo defendeu Luís Aragão, que também voltou a criticar os atrasos no pagamento dos apoios camarários aos clubes, defendendo que «seria preferível baixar os subsídios, mas trabalharmos com um valor que sabemos que será utilizado no período a que se destina». Confrontado com as críticas no final do debate, o vereador do Desporto na Câmara da Guarda reconheceu que «existem necessidades», daí «estarmos a trabalhar no projecto de um novo pavilhão e na criação de um complexo desportivo». Quanto aos pagamentos, Vítor Santos reconheceu os atrasos e que a autarquia «não tem disponibilidade financeira para, neste momento, ter tudo em dia», mas que paga «à medida das nossas possibilidades».
Ricardo Cordeiro




