«Que Deus, a Virgem Maria e todos os Santos Enófilos nos acompanhem». Foi deste modo que terminou mais uma entronização de novos confrades que a Confraria dos Enófilos da Beira Interior promoveu, no último sábado, na Aldeia Histórica de Castelo Novo. Nos cerca de 30 novos membros encontram-se Pinto Monteiro, Gomes Canotilho ou Castro Guerra, entre outras personalidades.
Um conjunto de confrades com «raízes na região» e «proeminência na vida pública portuguesa», que «vão ajudar a promover a qualidade dos vinhos da Beira Interior», salientou José Almeida Garrett, mordomo-regedor da Confraria. «A qualidade e a quantidade estão cá, falta-nos é a melhor divulgação. Todas estas personalidades vão ajudar-nos a desenvolver este trabalho de promoção dos vinhos da nossa região», reforçou o equivalente a presidente da direcção e produtor de vinhos. O Procurador-Geral da República foi uma das personalidades que aceitou este “desafio”da Confraria. Assumindo-se como um «beirão convicto e assumido», Pinto Monteiro garantiu que vai colaborar em «tudo o que disser respeito à promoção da Beira Interior». De resto, considerou que o vinho «pode ser um bom veículo de promoção» da região de onde é natural, confessando que, em Lisboa, não era habitual consumidor do “néctar dos deuses” da Beira Interior. Mas isso vai mudar: «A partir de agora, tenho a obrigação moral de passar a beber vinho da região», assegurou.
Já Castro Guerra confessou ser um «amante de vários vinhos da região», que bebe com «assiduidade», tanto em Lisboa como na sua casa de Valhelhas. Para o secretário de Estado Adjunto da Indústria e Inovação, «se queremos entender o turismo como uma actividade de lazer que chama povos de outras regiões, temos claramente de envolver o vinho e a Beira Interior tem atributos naturais interessantíssimos sob esse ponto de vista». O governante aconselhou ainda as adegas da Beira Interior a associarem-se e, «em conjunto, arranjarem uma marca comum», de modo a «fazerem da junção força» para «começarem a promover os vinhos que são um grande elemento de identidade da nossa região», reforçou. E sugeriu o recurso à Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), que terá «as portas abertas» para esta parceria. «A promoção é cara e trabalhar um conceito geral para a Beira Interior é importante», sublinhou.
Visão diferente tem José Almeida Garrett: «A AICEP e a ViniPortugal têm acções de promoção para todos os vinhos de Portugal, só que a Beira Interior, como não é muito conhecida, tem ficado para segundo plano. Tentam apoiar quem já está no mercado e tem uma marca reconhecida no exterior, só que as marcas têm de ser todas tratadas por igual», reivindicou o regedor-mor. Outro dos novos confrades entronizados foi Vasco D’Avillez, presidente da ViniPortugal, para quem a «grande aposta» da Beira Interior «tem que ser acreditar em si própria, melhorando sempre a qualidade dos produtos». Por outro lado, este responsável lançou o repto aos produtores da região para que se «dêem as mãos uns aos outros». «Sei que algumas adegas cooperativas têm pouca possibilidade económica de irem a feiras internacionais, mas se se juntarem em grupo e comprarem uma mesa para cinco adegas já é uma maneira de estarem presentes», sugeriu.
Ricardo Cordeiro



