O futuro Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso, em Trancoso, deverá ficar pronto em 2008. O equipamento, baptizado com o nome de um médico trancosense judeu-converso, vai surgir no centro histórico, junto ao Poço do Mestre e à Casa do Gato Negro, a antiga residência do rabino. A primeira pedra foi lançada na passada quinta-feira, numa cerimónia em que participaram o embaixador de Israel, Aaron Ram; Jorge Umbelino, do Instituto do Turismo de Portugal; e o presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE), Jorge Patrão.
Na sua intervenção, Júlio Sarmento considerou o projecto como «uma estratégia de investimento e desenvolvimento turístico» e explicou que a «crescente atractividade» de Trancoso implica «dar respostas ao público», referindo-se à concretização das propostas integradas no programa das Aldeias Históricas. «Foram contratados especialistas da Cultura Judaica, nomeadamente historiadores, para elaborar os conteúdos deste centro», adiantou o edil. Já o embaixador Aaron Ram disse esperar que o espaço venha a ser muito frequentado no futuro. «Que os seus visitantes aprendam e testemunhem a presença dos judeus que aqui residiram há tantos séculos atrás», desafiou. O edifício, projectado pelo arquitecto Gonçalo Byrne, disporá de uma sala de exposições, uma pequena sinagoga, baptizada com o nome de Poço das Águas Vivas, e um espaço museológico dedicado ao passado judaico da cidade. Nesse sentido, Júlio Sarmento defendeu «o dever de preservar o vasto conjunto de referências históricas e culturais» existentes na cidade, alegando que a cultura judaica teve «muita importância para a região». Por isso, o futuro Centro de Interpretação da Cultura Judaica «potenciará e valorizará os circuitos de turismo judaico, onde os visitantes terão um lugar de visita e de culto».
Uma função que será possível concretizar na réplica da sinagoga de Trancoso – nunca encontrada ou localizada. «Vai permitir que ali se faça, com algum recolhimento, o culto judaico dos grupos que visitam a cidade», adiantou o edil, admitindo que essa era «uma lacuna que havia em Trancoso». Segundo o autarca, foi necessário demolir dois edifícios urbanos para dar lugar ao Centro de Interpretação da Cultura Judaica, que estará concluído «dentro de 10 a 12 meses». O investimento previsto é da ordem do milhão de euros, a candidatar também ao Quadro de Referência Estratégico Nacional. «Estamos perante a construção de um equipamento com retorno financeiro, no qual se aplica uma gestão rentável», afirmou Jorge Patrão, explicando que «é necessário haver um conjunto de pontos de atracção, dado que se trata de cultura e turismo». Um dos objectivos do projecto é a «integração dos valores judaicos para, com isso, atrair o público», acrescentou. O centro está integrado no plano “Serra da Estrela Dinâmica”, que inclui cerca de duas dezenas de iniciativas, apoiadas em 100 milhões de euros, para executar em 10 concelhos da Beira Interior até final de 2008. Relativamente ao turismo judaico, a RTSE criou a “Rota das Judiarias”, que envolve Belmonte, Covilhã, Guarda, Gouveia, Linhares da Beira, Celorico da Beira, Trancoso, Pinhel e Penamacor.
Presidente “julgado” pelas crianças
À cerimónia compareceram cerca de 120 crianças, que receberam uma edição em banda desenhada da História de Trancoso. Um livro editado pela Região de Turismo da Serra da Estrela, com o apoio da autarquia, no âmbito do programa “Cidade Amiga das Crianças”, já que Trancoso é uma das três cidades portuguesas a participar. «É um orgulho para nós», sublinhou o autarca, revelando que vai ser “julgado” em Setembro pelos seus munícipes mais jovens. «Farão um juízo crítico acerca das iniciativas até então realizadas pelos adultos», adiantou, acrescentando tratar-se de «um acto simbólico, que tem por objectivo desafiar os “acusadores” a darem a sua opinião sobre as políticas dos mais crescidos». Outra iniciativa a desenvolver no âmbito deste programa é a distribuição, no início do ano lectivo, de um exemplar dos Direitos das Crianças a cada aluno das escolas do município. «Um concelho que não tenha crianças não assegura o seu futuro», justifica Júlio Sarmento.


