O Lagar Oleícola do Cruzamento de Alcaria (LOCA) hasteou, no domingo, a “bandeira azul” entregue há quatro meses no Parlamento Europeu, como símbolo de qualidade e higiene dos lagares e produtos. Este foi, por enquanto, o primeiro a colocar a insígnia, numa cerimónia que contou com a presença da Confraria do Azeite da Cova da Beira (CACB) e que permitiu dar a visibilidade que ainda faltava à Rota dos Lagares.
A Penazeites – Azeites Tradicionais de Penamacor; a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores do Fundão e o Lagar Biológico da Tapada da Tojeira, em Vila Velha de Ródão, – outros dos distinguidos – deverão colocar as suas bandeiras em breve. Além de iniciar a Rota dos Lagares, um dos projectos mais ambiciosos da CACB, que alia o azeite ao turismo, o içar da bandeira comporta, sobretudo, mais «responsabilidades aos lagares» que a ostentam, salienta Pedro Fians, mentor do projecto. Isto porque a “bandeira azul” exige «mais e melhor qualidade», pelo que a Confraria do Azeite passará a fazer inspecções periódicas para garantir que os parâmetros de qualidade, da laboração à embalagem, se mantêm. «Tem que se manter ou melhorar a qualidade e, se possível, acompanhar todas as inovações que vão surgindo», refere, avisando que as bandeiras serão retiradas de imediato aos incumpridores. Para já, a Rota dos Lagares estará apenas disponível virtualmente na página web da Confraria (www.confrariadoazeite.com.sapo.pt), onde os interessados poderão consultar toda a informação referente aos lagares e sua produção.
Além disso, haverá informação turística sobre a zona onde laboram os lagares, complementada com filmes promocionais. No terreno – e além das bandeiras –, o trilho ficará disponível quando houver verbas para promoverem a sua divulgação através de um folheto turístico que incluirá igualmente a gastronomia tradicional, os monumentos e outras informações relevantes. Entretanto a Confraria está a estudar o alargamento da Rota ao Museu do Azeite de Belmonte; à Ródoliv – Cooperativa dos Azeites de Ródão; à Cadomate – Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Malpica do Tejo; e à Probeira – Produtos Alimentares, Lda, de Envendos. O objectivo é constituir, já este ano, duas rotas distintas: uma a Norte (Museu do Azeite, LOCA; Penazeites e Cooperativa Agrícola dos Olivicultores do Fundão) e outra a Sul, formada pelos restantes lagares. De resto, a CACB viaja até Toronto (Canadá), em Junho, integrada numa comitiva de promoção de produtos portugueses junto das comunidades lusas.
Loca lança-se nos vinhos
Depois do azeite, o LOCA lançou-se no vinho. Um projecto apadrinhado pelos sócios, que decidiram rentabilizar os 30 hectares de vinha «cujas uvas não eram valorizadas suficientemente» e criar a VinOlive – Comércio Agro-Industrial, Lda, explica Patrícia Mendes Canatário. Daí resultaram quatro vinhos comercializados com marcas distintas. “Alma da Beira” e “D’Alcaria” foram feitos a partir das castas tradicionais da região. O primeiro é um branco e tinto e estará disponível dentro de duas semanas, sendo caracterizado como um vinho «fresco, ideal para as refeições do dia-a-dia», aponta António Luís Canatário. Já o “D’Alcaria” é um néctar «de selecção» que apenas chegará aos consumidores em Agosto, no caso dos brancos, e no final do ano para o tinto. Foram produzidas 250 mil garrafas (100 mil do vinho de selecção).
Liliana Correia



