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«A apatia do país é maior do que a pobreza»

Para combater o problema, vai nascer um núcleo da campanha “Pobreza Zero” na Guarda

A campanha “Pobreza Zero” poderá vir a ter uma delegação na Guarda apadrinhada pelo núcleo distrital da Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN). Trata-se de um desafio lançado pelo director executivo da Oikos, João Fernandes, durante a apresentação da campanha “Pobreza Zero”, na passada sexta-feira, no auditório do Paço da Cultura. A sessão encerrou a “semana da rede”, no âmbito das comemorações do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, organizada pelo núcleo distrital da Guarda da REAPN.

Estávamos em 2000, quando189 chefes de Estado e de Governo assinaram a Declaração do Milénio que levaram à formulação de oito objectivos de desenvolvimento específicos, a alcançar entre 1990 e 2015, os quais foram denominados por: Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Entre os quais se destaca, a redução para metade da pobreza extrema e da fome, o ensino primário universal, a igualdade entre os sexos, entre tantos outros. Passaram-se cinco anos e os líderes políticos continuam a não cumprir as suas promessas. Por isso, surgiu sob o lema “Pobreza Zero”, «a campanha que apela à sociedade para que se mobilize, actue e pressione os líderes políticos, e exija, como primeiro passo para a erradicação da pobreza, o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio», conta João Fernandes. Um dos objectivos desta campanha, que teve início em Julho, passa pela mobilização da sociedade portuguesa como um todo até 2010, «a ambição é chegar a todas as casas do país», realça o director executivo da Oikos. Por isso, no passado Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (17 de Outubro), foi lançado um manifesto, que já conta com «8 mil assinaturas», estima João Fernandes, onde se realça que a pobreza, no nosso país, é um problema social grave e o seu não reconhecimento tem-se revelado, ultimamente, um dos maiores entraves à sua erradicação. Portugal é o país da União Europeia com menor intervenção social e por isso «é urgente combater essa situação», frisa o responsável, acrescentando, que no nosso país, «a apatia é maior do que a pobreza».

Depois lançou o repto para «se criar na Guarda um núcleo da campanha “Pobreza Zero”». Assim, a REAPN poderá ser um dos parceiros da Oikos, «pudemos vir a agarrar aquele desafio», assegura cautelosamente Ana Margarida Almeida, coordenadora do núcleo distrital da REAPN. Quanto à adesão da sessão «não foi a que esperávamos, apareceram cerca de 25 pessoas, mas foi razoável», adianta. Também porque realizaram uma série de actividades ao longo da semana e por ser um tema «difícil, que ainda precisa de muito trabalho», justifica a responsável. De resto, «é urgente que se passe da teoria à prática e se encontrem soluções planeadas, integradas, sustentadas e integradoras para e com as pessoas em situação de vulnerabilidade», constata Ana Almeida. No final do próximo ano será apresentado um estudo sobre a pobreza no distrito da Guarda.

Patrícia Correia

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