Sociedade

Executivo unido na candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, mas oposição tem poucas esperanças

Escrito por Sofia Pereira

PS e PSD pedem pormenores e relatórios que sustentem a candidatura e criticam que faltam infraestruturas físicas

O socialista António Monteirinho quer que seja uma «candidatura vitoriosa», mas disse ver «muitas dificuldades no que toca a infraestruturas físicas, pontos fracos que podem ser insuperáveis». O vereador acrescentou que «se quisermos fazer um evento cultural para massas não temos uma estrutura coberta que possa dar resposta». Para António Monteirinho, a prova disso é a frequente «contratação de infraestruturas cobertas, como tendas». No final da reunião, o socialista adiantou aos jornalistas que gostaria de ter visto «um relatório» que sustentasse a decisão de candidatar a cidade mais alta, bem como «um documento que explicasse à oposição como vai decorrer a candidatura, ou seja, toda a organização, os departamentos, os funcionários envolvidos, porque só assim sairá uma candidatura vencedora».
Já o social-democrata João Prata considerou que o anúncio feito pelo presidente da Câmara foi uma «intervenção pública de triste recorte porque só soube fazer má língua daquilo que foi a candidatura a Capital Europeia da Cultura». Na sua opinião, «nem tudo correu bem nessa candidatura», mas defendeu que é preciso «aproveitar o que se fez e o que se aprendeu com o processo anterior». Tal como o PS, a coligação PSD/CDS/IL manifestou apoio à candidatura da Guarda a Capital Portuguesa da Cultura, no entanto, João Prata saiu da reunião de Câmara sem resposta após ter questionado o presidente sobre a «metodologia a ser adotada, assim como a assessoria, prazos e investimentos».
Aos jornalistas, Sérgio Costa referiu que, ainda que «haja sempre necessidade de ter mais, a cidade já tem boas infraestruturas, seja ao nível do teatro, museu, literatura, e estamos a fazer o caminho para colocar mais equipamentos culturais no centro histórico». O edil recordou o ambicionado pavilhão multiusos, «que vai custar muitos milhões de euros», uma obra para a qual será preciso encontrar «fontes de financiamento e que nunca foi feita em 50 anos de democracia». António Monteirinho aproveitou o tema para sugerir que a Guarda deveria avançar com uma candidatura a Capital Ibérica do Património, «pela proximidade com Espanha e capacidade de interação entre os dois países e regiões, e que podia ser muito mais benéfico», defendeu o socialista, que vê nesta ideia «um ponto de partida para se avançar com outras candidaturas e criarmos um projeto mais robusto, capaz de sair vencedor». Sérgio Costa não descartou a ideia do socialista e afirmou que «vai ser analisada», mas para já a Câmara está focada na candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028.
Na última reunião quinzenal, o executivo guardense aprovou, por unanimidade, a atribuição da Medalha de Honra Grau Ouro à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Egitanienses pelos 150 anos de existência. O presidente justificou que a distinção é «para todos os homens e mulheres que passaram por aquela casa e deram o melhor de si para honrar os princípios basilares da corporação – Vida por vida, socorro, emergência, proteger o bem comum e o cidadão». A data de entrega da medalha à Associação Egitaniense ainda não foi escolhida. João Prata acrescentou que a «melhor forma» de honrar os 150 anos da corporação é apoiar a aquisição de uma nova viatura. «Foi lançado um peditório para angariar verbas para comprar esse veículo, mas ainda não se chegou ao valor total, pelo que poderia ser a Câmara a colocar o dinheiro que falta», sugeriu.
Nesta sessão foi aprovada ainda a celebração de protocolos entre o município e as Associação Humanitárias do concelho da Guarda e também a atribuição de apoios para associações com sapadores florestais. Estas últimas vão receber 80 mil euros, enquanto as três corporações de bombeiros vão repartir 125 mil euros. «A estes valores somam-se os 400 mil euros que já investimos nas oito equipas de intervenção permanente», lembrou Sérgio Costa, para quem este novo apoio é o «valor possível que podemos dispensar». De resto, garantiu que é «o maior montante até hoje atribuído pela Câmara da Guarda a estas associações».
Na segunda-feira, o executivo da Câmara da Guarda aprovou por unanimidade o concurso público internacional para alteração, ampliação e reabilitação de edifícios municipais na Avenida da Igreja, na Rua dos Amores e no Rio Diz, na cidade. O objetivo é dotar os imóveis de «eficiência energética e acessibilidades», num investimento que ronda os 4,7 milhões de euros financiados pelo PRR. «Fizemos os projetos, as candidaturas foram aprovadas, lançamos os concursos públicos e agora estamos a adjudicar», disse o presidente da Câmara.

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