Sociedade

Cidália Valbom demarca-se de Chaves Monteiro no caso do pavilhão multiusos

Escrito por Luís Martins

Presidente da Assembleia Municipal votou favoravelmente moção do Bloco de Esquerda e deixou críticas ao executivo por ter pretendido construir Centro de Exposições Transfronteiriço no Parque Urbano do Rio Diz

A polémica da eventual construção do Centro de Exposições Transfronteiriço (CET) no Parque Urbano do Rio Diz – entretanto abandonada – pôs a nu as divergências e divisões que grassam no seio da maioria social-democrata que governa o município. E se dúvidas houvesse, bastou Cidália Valbom, presidente da Assembleia Municipal, votar favoravelmente uma moção do Bloco de Esquerda que pedia ao executivo para retomar as negociações com a Sociedade Têxtil Manuel Rodrigues Tavares.
Interpelado por O INTERIOR no final da reunião quinzenal do executivo, Carlos Chaves Monteiro não se quis pronunciar sobre a posição de Cidália Valbom, mas sempre foi dizendo que, nesta matéria, houve «alguém que pôs o interesse pessoal e político acima do interesse coletivo» e que «a coerência é um valor essencial na política». Além disso, o presidente da Câmara considera que esta moção da Assembleia Municipal «viola o Plano de Pormenor» para aquele local. O documento apresentado por Marco Loureiro foi aprovado com 25 votos a favor, 35 abstenções e quatro contra, e apela à Câmara para que encete «todos os esforços para a rápida e melhor resolução na passagem da propriedade dos terrenos da antiga fábrica Tavares para o município». O deputado bloquista propôs ainda que «se, e somente se, a opção já aprovada e estudada da antiga fábrica Tavares não for uma possibilidade real», se avance para «uma outra opção do estudo outrora feito, mas que exclua o Parque Urbano do Rio Diz».
O tema motivou um debate acesso. Carlos Chaves Monteiro admitiu que a hipótese do Parque Urbano do Rio Diz podia «não ser a solução mais adequada» e comprometeu-se a continuar as negociações com os proprietários do terreno da antiga fábrica Tavares para «ver se chegamos a bom termo». «A solução primeira, aquela que o executivo sempre defendeu, será exatamente a fábrica da sociedade Têxtil Manuel Rodrigues Tavares. É isso que nós queremos, é por essa localização que vamos lutar», garantiu o autarca. Para a deputada socialista Paulisa Assunção, a possibilidade de construção do CET no parque Polis não é «a melhor solução» e é «um erro que deve ser evitado». Por sua vez, Tiago Gonçalves (PSD) lembrou que o assunto não constava da ordem de trabalhos da sessão, o que considerou ser «um sinal do executivo que abandona esta opção, pelo menos neste momento». O social-democrata acrescentou que, pela discussão gerada, percebeu-se que a localização no parque urbano «pode não ser a mais ajustada do ponto de vista político».
Para surpresa geral, a mesa da AM (a presidente e os dois secretários, António Fernandes e João Marques) votou a favor da moção apresentada pelo BE por «concordar em absoluto» com o seu teor. «Eu sou absolutamente contra a localização do CET no parque Polis», justificou Cidália Valbom, numa crítica frontal ao presidente da Câmara. Ora esta tomada de posição surpreendeu inclusivamente a bancada do PSD, que se absteve depois de ter conseguido na véspera que Chaves Monteiro não levasse o assunto à Assembleia Municipal tendo em conta a contestação gerada por esta localização alternativa. À tarde, o líder da bancada do PSD voltou ao tema para se distanciar da presidente da AM e reiterar que o grupo municipal social-democrata deu o assunto «por morto e resolvido» após ter manifestado a sua discordância quanto à construção do CET no Polis «no local certo». Tiago Gonçalves garantiu ainda ao presidente da Câmara «a total solidariedade desta bancada» na procura da resolução deste caso, tendo desafiado o executivo a fazer «aquilo que o PS não conseguiu, que é requalificar a zona da antiga fábrica Tavares e aumentar o parque Polis para aumentar a qualidade de vida dos cidadãos». Na sua opinião, este é «mais um pesado exemplo da gestão socialista, que só nos deixou trapalhadas e assuntos para resolver». Na quarta-feira a Assembleia Municipal aprovou ainda o Orçamento da Câmara para 2020 com 52 votos a favor, 14 contra e uma abstenção.

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