Região

Plataforma pede compromisso aos partidos com abolição das portagens na A23 e A25

Escrito por Luís Martins

Movimento que reúne empresários, sindicatos e utentes da Beira Interior apela à «urgente e necessária» reposição do regime SCUT nas autoestradas que atravessam a região

Em vésperas de eleições legislativas a Plataforma pela Reposição das SCUT na A23 e A25 quer um compromisso «claro e inequívoco» dos partidos representados na Assembleia da República com a abolição das portagens nestas autoestradas. O desafio apela à inclusão desta proposta nos respetivos programas eleitorais e à «urgente e necessária» reposição do regime SCUT (sem custos para o utilizador) logo após as eleições de 6 de outubro.
O movimento que reúne empresários, sindicatos e utentes dos distritos da Guarda e Castelo Branco solicitou, entretanto, uma reunião com as direções nacionais do PSD, PS, BE, CDS-PP, PCP-PEV e PAN. Na carta enviada aos partidos, e a que O INTERIOR teve acesso, a Plataforma lembra que a Beira Interior é caracterizada por uma baixa pressão demográfica, crescente nível de envelhecimento populacional, mas tem «um dinamismo económico, social e cultural com ampla margem de crescimento que é diariamente colocado em causa com a introdução das portagens» naquelas duas autoestradas. «Está demonstrado que elas tiveram e continuam a ter consequências nefastas nos planos económico e social. Por isso defendemos a reposição das SCUT, pois estamos convictos que esta reposição conduzirá a condições de desenvolvimento e de atração dos territórios onde se encontram, contribuindo assim para coesão territorial e o desenvolvimento regional e em particular do interior», adianta a Plataforma.
O movimento valoriza os descontos introduzidos em janeiro para os pesados de mercadorias, que diz serem resultado da sua própria intervenção, mas considera que são «insuficientes e injustos (não abrangem os veículos ligeiros com que os trabalhadores e as populações se deslocam), e não correspondem às reais necessidades de desenvolvimento interior». «Numa altura em que estão na ordem do dia políticas de coesão territorial e social, que têm objetivos claros de contrariar uma trajetória insustentável de esvaziamento das regiões do interior e que se baseiam na adoção de medidas especificas que contribuam diretamente para a afirmação destes territórios, parece premente olhar para a problemática do peso das portagens na economia das empresas e dos cidadãos», aponta a Plataforma, que alerta para o facto da população residente na Beira Interior ter perdido cerca de 40 mil pessoas nos últimos dez anos.
Em termos económicos, os seus responsáveis acrescentam que, na região, o número de insolvências tem aumentado e a criação de empresas diminuído, «ao contrário do que se verifica no país».
«O que está em causa não é “pedir” para o interior condições de exceção ou melhores que as anteriores, mas sim a reposição das condições iniciais que se traduziam em estradas gratuitas numa lógica de combate de assimetrias face ao litoral e de convergência económica», defendem. A Plataforma conclui que «é tempo de ser feita justiça a esta região» e de ser revertida a introdução de portagens «considerando agora os sinais positivos que a economia apresenta». Este movimento integra a Associação Empresarial da Beira Baixa, a União de Sindicatos de Castelo Branco, a Comissão de Utentes Contra as Portagens na A23, o Movimento de Empresários pela Subsistência pelo Interior, a Associação Empresarial da Região da Guarda, a Comissão de Utentes da A25 e a União de Sindicatos da Guarda.

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