Opinião CUF de Ricardo Horta: Cirurgia estética no verão: porque não?

Ainda há quem pense que o verão não é uma boa altura para agendar cirurgias plásticas, mas a realidade é que os procedimentos que são sobretudo de natureza estética, incluindo cirurgias faciais e de contorno corporal, podem ser realizados ao longo de todo o ano.
A decisão depende sobretudo das circunstâncias pessoais e da disponibilidade de cada doente. Muitas pessoas preferem aproveitar o período de férias de verão: umas por terem mais tempo para a recuperação, outras pelo desejo de melhorar a imagem corporal, e a autoestima, antes dos meses em que o corpo se encontra mais exposto. Mas também é verdade que há quem opte por agendar a cirurgia para o final do verão, por receio da exposição solar ou para evitar o uso de cintas compressivas durante a época de maior calor.
Um dos principais cuidados a ter, quando a cirurgia é realizada nesta época do ano, é, de facto, evitar a exposição solar, de forma a impedir a pigmentação das cicatrizes. Devem também ser respeitadas as recomendações específicas para cada cirurgia, nomeadamente a utilização de cintas e soutiens compressivos (nas cirurgias de contorno corporal e mamárias) e a aplicação de gelo (principalmente nas cirurgias faciais). Igualmente importante é seguir todas as indicações de sessões de drenagem linfática e fisioterapia, para além da terapia medicamentosa geralmente recomendada para prevenir infeções e complicações relacionadas com eventuais coágulos sanguíneos. Otimizar o peso, com controlo dietético, e retomar a prática de exercício físico, logo que possível após a intervenção, são outros cuidados a ter em atenção.
As intervenções cirúrgicas de natureza estética mais frequentes são a lipoaspiração e a mamoplastia de aumento, mas também as abdominoplastias, as mastopexias (“lifting” da mama) e a mamoplastia de redução. As cirurgias estéticas faciais, nomeadamente o “lifting” facial e a cirurgia das pálpebras, são procedimentos igualmente comuns, na atualidade. Todos eles devem ser realizados por médicos especialistas em Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, profissionais com formação específica e com experiência para lidar com eventuais imprevistos e garantir a segurança dos doentes.
Relativamente às opções não cirúrgicas, existe um interesse crescente por tratamentos menos invasivos, como preenchimento com ácido hialurónico (fillers), toxina botulínica (conhecido por Botox), “peelings”, lasers, radiofrequência e até procedimentos de rejuvenescimento íntimo. Apesar de não serem atos cirúrgicos, estas opções do âmbito da Medicina Estética devem, contudo, ser realizadas por médicos com formação qualificada e em centros próprios – sempre com consciência de que a ausência de legislação específica pode comprometer a saúde e levar a resultados imprevisíveis, quando se opta por outras especialidades ou até áreas não médicas.

* Especialista em Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética no Hospital CUF Viseu

N.R.: Esta secção é uma colaboração mensal do Hospital CUF Viseu, na qual os seus profissionais partilham conselhos e dão dicas sobre saúde.

Sobre o autor

Ricardo Neves de Sousa

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