ABC Médico de Rafaela Coelho da Silva: Herpes Zóster

O herpes zóster, vulgarmente conhecido como “zona”, é uma doença causada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo vírus responsável pela varicela. Após a infeção inicial, geralmente contraída durante a infância, o vírus não é eliminado do organismo. Permanece adormecido nos gânglios nervosos durante anos ou mesmo décadas, podendo reativar-se quando ocorre uma diminuição das defesas do organismo.
O envelhecimento, o stress intenso, algumas doenças crónicas e as situações que afetam o sistema imunitário são fatores que aumentam o risco de desenvolvimento do herpes zóster. Quando o vírus volta a estar ativo, manifesta-se através de uma erupção cutânea dolorosa, habitualmente limitada a um dos lados do corpo.
Antes do aparecimento das lesões, é frequente surgirem sintomas como dor, ardor, formigueiro ou sensação de queimadura numa determinada zona da pele. Após alguns dias, desenvolvem-se pequenas bolhas agrupadas sobre uma área avermelhada, que acompanham geralmente o trajeto de um nervo. As localizações mais frequentes são o tórax, as costas e a face. Quando o herpes zóster afeta a região ocular, pode provocar complicações graves, incluindo lesões da córnea e alterações da visão, pelo que a observação médica urgente é indispensável.
Apesar de ser frequentemente reconhecido pelas suas manifestações na pele, o herpes zóster é essencialmente uma doença que afeta os nervos. A dor pode ser intensa e incapacitante e, em alguns casos, persistir mesmo após o desaparecimento das lesões cutâneas, durante meses ou anos. Esta complicação, denominada nevralgia pós-herpética, é mais frequente nas pessoas idosas e pode comprometer significativamente a qualidade de vida, interferindo com o sono, a atividade física e o bem-estar emocional.
O diagnóstico é habitualmente clínico e o tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 72 horas após o aparecimento das lesões. Os medicamentos antivirais ajudam a reduzir a duração da doença, a intensidade dos sintomas e o risco de complicações. O controlo adequado da dor constitui igualmente uma parte fundamental do tratamento.
Atualmente, a vacinação é a forma mais eficaz de prevenção. Recomendada sobretudo para pessoas com mais de 50 anos e para indivíduos com maior risco clínico, a vacina reduz significativamente a probabilidade de desenvolver herpes zóster e as suas complicações mais incapacitantes.
Perante os primeiros sinais da doença, é importante procurar assistência médica sem demora. A informação e a prevenção continuam a ser as melhores formas de proteção. Conhecer os sintomas e informar-se sobre a vacinação pode ajudar a evitar complicações e a reduzir o impacto do herpes zóster na qualidade de vida.

* Interna do 3º ano de formação especializada de Medicina Geral e Familiar na USF “A Ribeirinha”, da ULS da Guarda

NR: A rubrica “ABC Médico” é da responsabilidade do grupo de Internato Médico da ULS da Guarda e pretende aumentar a literacia em saúde na área do distrito da Guarda. O objetivo desta coluna mensal é capacitar a comunidade a fazer parte integrante do seu processo de saúde/doença, motivando-a para comportamentos de vida saudáveis e decisões adequadas. Para tal, são escolhidos temas pertinentes que serão apresentados por ordem alfabética.

Sobre o autor

Rafaela Coelho da Silva

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