Cultura

“The Harvey Girls”, um charmoso musical

Escrito por Jornal O Interior

“The Harvey Girls” (1946) não é uma referência nem um ícone no mundo do musical. É sim um entre tantos outros “technicolor musicals” que a MGM produziu compulsivamente durante os anos 40. É uma produção de Arthur Freed, é certo, mas não está ao nível de obras-primas como “Singin’ in the Rain” ou “The Band Wagon”.
Todavia, devo confessar (orgulhosamente, talvez) que é o meu musical favorito, não juntasse quatro aspetos que tanto gosto: género musical, “ambiente western”, comida e, claro, Judy Garland. Este apreço por ele leva-me a dá-lo a conhecer. Se calhar deveria escrever sobre um filme natalício, mas a verdade é que não sou muito fã desse tipo de película (e, de qualquer maneira, “The Harvey Girls” é um filme de cariz familiar, saudável e nostálgico). Realizado pelo subvalorizado George Sidney, um mestre dos musicais, “The Harvey Girls”, que se passa no final do século XIX, narra a história da rivalidade entre um grupo de decentes empregadas de uma das “casas” da “Fred Harvey Company” (onde está a personagem de Garland) e de outro de dançarinas lascivas de um saloon (encabeçado por uma fantástica Angela Lansbury). Devo esclarecer que a “Fred Harvey Company” foi uma bem-sucedida cadeia de restaurantes e hotéis, fundada em 1876 pelo empresário Fred Harvey, que se localizavam junto às estações de comboio na zona oeste dos EUA – uma espécie de área de serviço, portanto. As suas empregadas eram conhecidas por serem educadas, asseadas, recatadas, desprovidas de maquilhagem e… solteiras.
Embora reconheça que o argumento seja demasiado previsível e não muito interessante, friso que o filme é dotado de um excelente ritmo. Outros aspetos positivos são a agradável fotografia, com forte apelo háptico, e as apreciáveis interpretações de quatro das atrizes do elenco: Lansbury sabe construir uma simpática vilã, enquanto Garland, Marjorie Main e a subvalorizada Virginia O’ Brien mostram admirável talento para a comédia. Mas o melhor de tudo é mesmo o “conceito” de comida presente em todo o filme. Ela nem sequer aparece muito (basicamente, apenas aparecem duas coxas de frango numa cena). Sucede que o facto da ação se passar, em grande parte, num restaurante faz-me logo abrir o apetite.
Como ponto negativo a acompanhar o argumento um pouco insosso, é preciso dizer que “The Harvey Girls” não possui canções nem números musicais memoráveis, mas apenas decentes (à exceção do primeiro número, acompanhado pela canção bastante conhecida “On the Atchison, Topeka and the Santa Fe”, vencedora do Óscar de Melhor Canção Original em 1947).
Enfim, “The Harvey Girls” não é uma obra-prima, mas é um filme charmoso o suficiente para merecer ser visto pelo menos uma vez.
Um Feliz Natal e um Bom Ano aos leitores! Boas entradas!

Miguel Moreira

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