Cultura

“Manhã Submersa” em destaque na Casa Vergílio Ferreira em Gouveia

Escrito por ointerior

A Casa Vergílio Ferreira – Para Sempre, em Melo (Gouveia), tem patente a exposição “Manhã Submersa – Entre a clausura e a aspiração à ‘realização integral”’.
A mostra é dedicada a um dos títulos mais marcantes da obra do escritor e percorre «a génese, as polémicas e a permanente atualidade do romance que o autor de Melo publicou em 1954», adianta o município em comunicado enviado a O INTERIOR. A exposição foi concebida a partir de um percurso de investigação assinado por Jorge Costa Lopes, investigador do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. «O visitante é conduzido por aquela que é, simultaneamente, uma obra de ficção e o testemunho transfigurado da passagem do autor pelo Seminário», é referido. Vergílio Ferreira (1916-1996) ingressou aos 11 anos no Seminário Menor do Fundão, onde viveu «uma experiência que viria a converter em literatura naquele que descreveu como um ato de catarse».
A exposição acompanha as várias etapas do romance: «Dos primeiros anos e da entrada no Seminário à difícil oficina de escrita, prolongada entre 1949 e 1953». Evoca também «o confronto com a censura do Estado Novo, que exigiu cortes e alterações ao texto então intitulado “Cavalo Degolado”», a receção crítica que envolveu nomes como Óscar Lopes, Mário Sacramento e Eduardo Lourenço”, realça a Câmara de Gouveia. É também recordada a adaptação ao cinema do romance, realizada por Lauro António em 1980, na qual o próprio Vergílio Ferreira interpretou, com ironia, o papel do reitor. «Mais do que um regresso ao passado, a exposição propõe uma leitura do romance à luz do presente. Pensado pelo autor como reflexo de todos os mundos fechados e dos regimes de vigilância, “Manhã Submersa” mantém-se paradoxalmente atual num tempo dominado pela tecnologia e pelas novas formas, mais subtis, de controlo da liberdade individual».
Vergílio Ferreira é considerado um dos maiores romancistas portugueses do século XX com obras como ‘Estrela Polar’, ‘Manhã Submersa’, ‘Aparição’, ‘Para Sempre’, ou o registo diarístico de ‘Conta Corrente, entre outras.

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