Vim num comboio de noite até Madrid a ler os artigos duríssimos de alguns cronistas contra José Sócrates. Sento-me no Zahara, situado na Gran Via 51, e descubro um lugar imenso com Internet disponível por moedas, uma transformação dos últimos tempos. Este café imenso tem este espaço de mais de 30 computadores e, possivelmente, ganha mais com este choque tecnológico que a vender cafés lá em baixo. Mas ao que vinha? Queria falar de Sócrates e das críticas. Diz-se que é prepotente, que não ouve ninguém e, pior, estará imbuído do espírito messiânico de quem se julga dono de verdades iluminadas. Penso que sim, que existe esse espírito socrático, e que há já muitos seguidores guindados a posições de comando que o exercem de forma inenarrável. Não posso deixar de dizer que os Covões tinham há alguns anos cinco administradores e hoje pululam mais de 15, a quem há que fornecer salários superiores ao meu. Formas de incentivar os que sempre trabalharam. Mas há uma clara leitura de manuais de gestão e de linguagem de gestão que afecta este poder e o anterior, o do PSD de Durão e de Santana. O que me parece evidente é uma semelhança de linguagem e um modo arrogante de escolher os iluminados do poder. Para lá disso, os juízes continuam impunes, os militares sem armas a arriscar missões desproporcionadas, as escolas com resultados medíocres, os hospitais a aumentar as listas de espera e a produzir conflitos, os doentes a pagar mais, os pobres a dormir nas ruas, os romenos a lançar os filhos na esmola e nada disto tem fim. Madrid, por oposição, criou em quatro anos mais de 50 estações de metro, viu crescer seis torres de 80 andares, aumentou a população de estrangeiros e, “last but not the least”, viu o Partido Popular arrasar os socialistas. Simplex não é?


