O consumo de droga por parte dos alunos está a preocupar a direcção da Escola Secundária da Sé. “Ó da Guarda! Contra a droga” foi o tema da conferência que teve lugar na passada segunda-feira, na biblioteca daquele estabelecimento de ensino, com o objectivo de tentar encontrar respostas e soluções para o problema.
A jornada de reflexão reuniu o Governador Civil, autarquia, os responsáveis máximos da PSP e GNR, psicólogos, o IPG, responsáveis da área e representantes da comunidade escolar. A constatação do consumo de álcool e de droga por parte dos jovens e a necessidade do combate efectivo destes consumos precoces, através de um trabalho conjunto da comunidade, foram os pontos que sobressaíram do debate. «Sendo professora desta escola há quatro anos e tendo sido aluna durante seis, era uma realidade que eu conhecia, não era nada de novo. Mesmo sendo leigos, olhamos e vemos que algo se passa com alguns alunos e ficamos preocupados», afirmou Cristina Vicente. A directora da Secundária da Sé mostrou-se apreensiva relativamente a esta problemática, apesar de considerar que a conferência foi «um grito de alerta que pensamos que ainda vai a tempo de justificar os nossos esforços para salvaguardar a vida dos nossos alunos e das famílias», disse.
Cristina Vicente admitiu ainda que a jornada foi «tranquilizadora, porque há mais forças policiais que vão olhar para as escolas de uma outra forma». Por sua vez, o Governador Civil sublinhou que o importante é «não desarmar». Santinho Pacheco considerou que este flagelo é «um problema de todos e que deve ter a intervenção de todos» e defendeu a formação de alguns professores para «acompanharem grupos de alunos com estes problemas», até porque «o que a Guarda menos precisava de ter era este anátema e uma crise relacionada com o consumo de drogas», disse. «Estamos aqui mais para prevenir do que para remediar», acrescentou, destacando a prevenção e a «necessidade de reprimir» o tráfico de droga e a venda ilícita de bebidas alcoólicas nas imediações das escolas.
Apesar da preocupação dos responsáveis da Secundária da Sé relativamente ao uso de drogas leves por parte dos jovens, estudos recentes dizem que estes consumos têm vindo a diminuir, contrariamente à ingestão de álcool. A revelação foi feita pelo director do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) da Guarda, que justificou estes hábitos com a «cultura judaico-cristã», onde «o álcool é o sangue de Cristo». Rui Correia sublinhou não ter nada contra o álcool, mas sim «relativamente ao seu consumo excessivo por parte de miúdos que consomem grandes quantidades e ilicitamente». O responsável adiantou ainda que O IDT da Guarda presta serviço de tratamento a cerca de 500 pessoas, sublinhando que a cidade «está dentro, ou mesmo abaixo das médias nacionais» no que diz respeito aos consumos de drogas.
Rui Correia falou ainda da desejada mudança de instalações do IDT da Praça Velha para o Parque da Saúde, medida que se justificaria devido à «exposição a que as pessoas estão sujeitas» na Praça Luís de Camões. «Por vezes, quem mais precisa não vai porque tem dificuldade em vencer esta barreira», lamentou. Sobre este assunto, Santinho Pacheco garantiu que irá sensibilizar as autoridades competentes para se encontrar um espaço físico que «não denuncie, à partida, a procura daquele serviço».
Rafael Mangana


