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O fim da “silly season”

Entrementes

«Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer» (Molière)

Pronto. Lá passaram mais umas férias. A “silly season” chegou ao fim. Arrumam-se as toalhas e os biquínis, as tendas e os outros trastes que, um ano após outro, se vão buscar ao sótão para desempoeirar pelos Algarves do país. Isto para aqueles que ainda conseguem uns trocos para descansar os neurónios nem que seja a esturricá-los ao sol… Tudo isto enquanto se compram umas daquelas revistas que não dizem nada de novo, mais uns jornais desportivos que vendem craques como quem vende molhos de nabiças e umas bolitas de Berlim para adocicar os dias.

“Silly season”… ou, se preferirem, em tradução livre, estação tonta!…

Pois bem, de regresso ao trabalho não encontra um bom cidadão nada que lhe espevite a má-língua ou, pelo menos, uma boa discussão numa esplanada a gastar os últimos cartuchos. Não encontra?… Ai, encontra, lá isso encontra… Tanto que, em certos momentos, pode mesmo sentir não ter poder para dar avego a tamanha chusma…

Ele é o caso Casa Pia mais os seus desmandos, horas e horas de televisão e rádio e toneladas de papel de um lado, o caso Queiroz – Madail – Federação – Agência Anti-dopagem do outro. Ele são os fogos que nos massacram a floresta e ceifam, de uma assentada só, vidas inteiras de trabalhos. Motivos não faltaram para encher as conversas de finais de Agosto e os primeiros dias de Setembro.

Mas, com tudo isto, faltava ainda a cereja no topo do bolo. Então não é que a senhora ministra da Educação decide mostrar-se ao país através de uma mensagem de abertura do ano lectivo!… Até aqui, ainda a coisa poderá ser entendível. Será até importante que a senhora ministra deseje a toda a comunidade educativa votos dos maiores sucessos num tempo em que muitas das medidas já tomadas e a tomar não são muito bem percebidas pelo comum dos mortais que nelas se atropelam. Será mesmo fundamental que a senhora ministra, com o poder persuasivo que possa ter, tente motivar a comunidade educativa do país para mais e melhor educação. Será até politicamente correcto…

O que se não vislumbra é a necessidade, a premência, de o ter feito numa linguagem e num tom tão, como dizer?, infantil… É que nem sequer os estudantes perceberam o porquê de uma linguagem assim… E, se é verdade que os professores o fazem nas primeiras aulas de cada ano, fazem-no num outro tom, não neste, digamos, maternal para não correr o risco de em Educação ser mal-educado…

Perante tudo isto, já começo a sentir uma certa saudade da escritora Isabel Alçada…

Por: Norberto Gonçalves

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