Com o início de um novo mês e de uma nova estação do ano, as condições meteorológicas poderão revelar-se mais propícias a caminhadas noturnas, a observações astronómicas e quem sabe a astrofotografias. Para tal, é importante, mas não essencial, conhecer um pouco do céu noturno.
O céu noturno não se resume à Lua e a algumas dúzias de constelações ou estrelas. Os planetas, as nebulosas, os enxames de estrelas e até algumas galáxias são visíveis sem ajuda de instrumentos óticos. No entanto, basta um binóculo ou um pequeno telescópio para ele assumir uma dimensão completamente diferente.
O conhecimento do céu noturno já progrediu muito. Há cerca de 4.000 anos, os egípcios representavam a Terra e as estrelas a flutuar à superfície de um mar celeste gigante dentro do corpo da deusa Nut. Séculos mais tarde, na Grécia, pensava-se que uma Terra imóvel se encontrava no centro do universo e que as estrelas se situavam todas à mesma distância. Os nossos antepassados tiveram dificuldade em libertar-se da ideia de que a Terra era o centro do universo. No século II d.C., Cláudio Ptolomeu propôs a ideia de que o Sol, a Lua e os planetas giravam em trono da Terra. Surpreendentemente, a ideia foi aceite durante 1.500 anos até que, em 1543, Nicolau Copérnico deu um grande passo na direção do que atualmente sabemos ser a verdade. A Terra gira em torno do Sol, tal como todos os outros planetas. Desde então, com mais instrumentos, mais modernos, tornou-se claro que não existe qualquer abóbada cravejada de estrelas – e não há nada de especialmente importante no lugar que ocupamos no espaço.
Da mesma maneira que os geógrafos cartografam a posição dos objetos à superfície da Terra, os astrónomos cartografam os objetos celestes visíveis no céu. Os antigos navegadores usavam os céus noturnos para se orientarem através dos mares e dos oceanos. Os seus mapas celestes eram rudimentares, mas eficazes e tornaram-se para eles ferramentas de valor incalculável. Atualmente, já não precisamos de mapas celestes para navegar, como é evidente. Em vez de os desenhar, os astrónomos modernos cartografam as posições dos objetos astronómicos simplesmente para manter um registo do que aí se encontra com o objetivo de conhecer melhor o universo. Para facilitar esta tarefa, também elaboram catálogos de estrelas, enxames, nebulosas e galáxias. John Flamsteed foi um dos primeiros a introduzir o sistema de numeração das estrelas, na sua publicação de 1725 “Coelestis Britannica”. Dois dos catálogos clássicos – o de Messier e o “New General Catalog” (NGC) – continuam a ser muito usados. O catálogo de Messier é uma lista de objetos celestes compilada pelo astrónomo francês Charles Joseph Messier enquanto procurava cometas. Publicou o seu primeiro catálogo em 1771, com 45 itens. A lista foi sendo posteriormente atualizada e inclui atualmente 110 itens, incluindo nebulosas, enxames e galáxias. O primeiro objeto a aparecer no catálogo, M1, é a famosa constelação de Caranguejo.
Depois deste breve resumo histórico focaremos, no próximo artigo, a atenção nos corpos celestes que poderemos observar no céu noturno nos próximos meses.
Por: António Costa


