Com uma moldura humana muito aceitável, disputou-se em Fornos de Algodres um emocionante clássico entre os locais e o Desportivo de Mangualde numa altura em que as duas equipas necessitam de pontos para fugir à linha de despromoção. Contudo, a partida correu melhor aos visitantes, que venceram por duas bolas a uma, com dois golos de muita sorte nos poucos lances de perigo para a baliza dos locais.
O jogo foi equilibrado até aos 20’. O Fornos fez muita circulação de bola, com Cédric e Vitinha, na esquerda, e Santos e Sérgio, no lado contrário, a combinarem muito bem, tentando servir Oliveira, regressado ao onze inicial de António Flávio. Quanto ao Mangualde, trouxe um bloco defensivo muito denso onde Amunike, que representou o Fornos na época passada, se evidenciou perante os avançados locais, enquanto que na frente Luís Lopes, com as suas arrancadas pela esquerda, protagonizou lances de perigo. O Fornos poderia ter aberto o activo por intermédio de Oliveira, não fosse o esférico embater na barra. Na jogada seguinte, o Mangualde partiu para o contra-ataque, com Luís Lopes a receber a bola na ala esquerda e a rematar forte ao ângulo esquerdo da baliza dos locais, não dando quaisquer hipóteses a Carlitos. O Fornos estava algo desconcentrado, mas reagiu com um forte remate de Faneca I que levou o esférico a rasar o poste da baliza do Mangualde.
Em desvantagem no marcador, António Flávio mexeu na equipa ao intervalo, deixando Faneca II nas cabinas para entrar Bruno Costa, que acabou por trazer maior velocidade ao jogo. Santos criou perigo nos minutos iniciais, mas não conseguiu acertar na baliza defendida por Manuel Fernandes. Pouco depois foi Peritz a tentar a sua sorte, mas a bola rasou, mais uma vez, o poste. Nesta altura, o Fornos jogava no meio-campo adversário, já que o Mangualde não conseguia sair da sua linha defensiva. Era o sinal mais dos locais, que vinham dispostos a tentar dar a volta ao marcador, com David, aos 60’, a obrigar o guardião visitante a uma defesa “in extremis”. O “bombardeamento” era demasiado e o empate surgiu aos 69’, quando Peritz e David combinaram na perfeição para servir Oliveira que, sem problemas, empatou a contenda. Podia ter sido o começo da reviravolta, mas o guardião Manuel Fernandes estava inspirado e defendeu quase tudo. Já em período de compensação houve algum “sururu” com o delegado do Fornos a ser mal expulso, pois estava apenas a explicar ao árbitro assistente como se colocavam os números para assinalar os minutos de desconto. O pior veio depois. Luís Lopes aproveitou uma falha de marcação para facturar o golo que valeu a vitória do Mangualde e deixou o Fornos de Algodres numa situação deveras complicada. O trio de arbitragem fez uma actuação má demais para ser verdade, já que beneficiou sempre a equipa visitante, não se sabendo se intencionalmente ou não.
João Ferreira


