Bilhete Postal
A glória das uvas
Está na força do cacho
Na presença dos hilos
E por isso esmagadas
Inebriam,
Exageradas nos adoecem,
Afogam, afagam e esgotam.
Alegram, apagam e libertam.
Trazem a dualidade
Do sabor e da moléstia.
No cacho não há vinho
E na uva não há doença.
A vingança nasce ébria
Num rio púrpura mordente
E nasce a fraqueza nestes peixes
Que se afogam, apagam e esgotam.
O vinho nasce das uvas
Como uma serpente.
Há piranhas e golfinhos
Há tentáculos e ciúmes
Há cenários dantescos e há mortes
E acidentes e pessoas “morrentes”.
Um rio púrpura
Uma musa, um paladar,
Desenha-se suave
De modo elegante
A fronteira do prazer
E o corpo da serpente.
Por: Diogo Cabrita



