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Câmara da Guarda repudia declarações de Fernando Ruas

Moção não foi tão unânime quanto a da AM de Viseu

Uma moção de repúdio com outra se paga na polémica troca de acusações entre Maria do Carmo Borges e Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu. O desaguisado teve um novo condimento na semana passada, já que na última reunião do executivo guardense foi aprovada por maioria uma moção de repúdio pelas declarações do também presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP). Uma função recordada na missiva saída da autarquia, com os votos contra de Ana Manso e Crespo de Carvalho, onde se defende que Fernando Ruas devia «dar um tratamento igual a todas as cidades e defender também os interesses da Guarda».

Só que na volta do correio, a moção da Guarda não leva o peso da unanimidade registada na Assembleia Municipal de Viseu (ver “O Interior” de 1 de Julho), onde os socialistas também subscreveram uma moção muito crítica, proposta por um deputado do PSD, contra as acusações da presidente da Câmara. Maria do Carmo tinha falado em alegados favorecimentos políticos da autarquia vizinha no programa Polis e na passagem do comboio de alta velocidade, mas a resposta de Fernando Ruas, que disse, entre outras coisas, que a Guarda ainda tinha que «”pedalar” muito para se ombrear com Viseu», só parece ter chocado Teixeira Dinis e os socialistas. O vereador do PSD foi o único a comungar das críticas da maioria, apresentadas por Esmeraldo Carvalhinho. «O senhor presidente da Câmara de Viseu, que também é presidente da ANMP, devia dar um tratamento igual a todas as cidades», exigiu o executivo, uma opinião que não foi partilhada pelos dois vereadores social-democratas. É que Ana Manso e Crespo de Carvalho consideram que Fernando Ruas reagiu «enquanto autarca de Viseu e não como presidente da ANMP», pelo que recusaram «alimentar jogos florais» e apelaram à necessidade de se fazer «um trabalho fundamentado em defesa dos interesses da Guarda».

Já Maria do Carmo aproveitou a reunião para responder pela primeira vez a Ruas. «As pessoas pedalam com os meios que têm. Se a Guarda tivesse os mesmos meios que Viseu, de certeza absoluta que ganhávamos, até porque estamos habituados à altitude e temos os pulmões mais bem preparados», ironizou a autarca, recordando ter agido nesta polémica para «exigir para a Guarda um tratamento igual ao de Viseu». De resto, confessou ter sentido «algum orgulho» quando soube que a AM de Viseu tinha aprovado uma moção de repúdio à presidente da Câmara da Guarda, acusada frequentemente «de não ter peso político», fez questão de frisar. Uma situação verificada no final de Junho, quando os deputados viseenses catalogaram as insinuações da presidente como «inveja mesquinha e uma angústia muito grande» (ver “O Interior” de 1 de Julho). Maria do Carmo tinha levantado dúvidas sobre a candidatura do Polis de Viseu e a escolha da estação intermédia na linha de alta velocidade entre Aveiro e Salamanca. E não esteve com meias medidas, já que classificou aquelas decisões como «favorecimentos» do poder político a Viseu para «satisfazer clientelas e agradar» ao presidente da ANMP. Insinuações «contra Viseu e contra os viseenses» suficientes para que o deputado social-democrata António Vicente Figueiredo tivesse apresentado a dita moção de repúdio na AM onde aconselhava Maria do Carmo Borges a preocupar-se «com o desenvolvimento do seu concelho e com as populações que serve».

Luis Martins

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