P – A ULS da Guarda anunciou mais de 35 milhões de euros de investimento em 2025/26. Passou de três para 10 Unidades de Saúde Familiar, retomou a cirurgia ortopédica em Seia, inaugurou recentemente novos equipamentos de imagiologia, num investimento de cerca de 5,3 milhões de euros. Se tivesse de fazer hoje um balanço da sua gestão à frente da ULS da Guarda, qual é a principal mudança de que se orgulha?
R –Não quero falar de uma coleção de números, nem de uma coleção de obras, mas de todo um plano que envolve pessoas e que, acima de tudo, significou mais recursos, mais equidade, mais acesso, melhores cuidados de saúde e, portanto, tem sido nisso que nos temos focados. Encontrámos uma ULS onde as pessoas estavam muito desmotivadas, as equipas estavam desmotivadas, os equipamentos eram poucos, as infraestruturas não eram as melhores. Existiam muitos edifícios degradados. Deparamo-nos com situações que tivemos de resolver imediatamente. Eu posso começar por dizer um dos primeiros desafios que tivemos foi o famoso Pavilhão 5, o Departamento da Mulher e da Criança, que foi apresentado aos guardenses como estando pronto, foram feitos vídeos, imagens, etc, mas a verdade é que nós chegámos lá e a obra não estava feita e, tanto não estava feita, que nós ainda tivemos de a prorrogar três vezes e, portanto, não estava feita pois nem sequer havia dinheiro para a acabar. Era uma obra que não era PRR, tinha fundos comunitários, mas não era comparticipada a 100 por cento. Não tínhamos orçamento para terminar a obra, não tínhamos um único cêntimo para apetrechar o Departamento da Saúde da Mulher e da Criança. Hoje temos mulheres que vêm de todo o país para ter o seu bebé na Guarda. Efetivamente temos condições pouco comuns no país. Temos quartos individuais onde os pais podem ficar, fazer a pernoita com a mulher e com o seu bebé.
P – Passámos vários anos a ouvir que a Maternidade da Guarda poderia fechar ou, pelo menos, aparecia nos vários planos de reorganização nacional de maternidades. Qual é agora o cenário?
R – Tivemos essa preocupação. A obra precisava de equipamentos e conseguimos cerca de 1 milhão de euros para apetrechar todo o departamento da Saúde da Mulher e da Criança – investimentos desde berços aquecidos a equipamentos neonatais. Tem sido o nosso maior desafio e talvez seja uma das maiores conquistas deste Conselho de Administração que está em funções há dois anos. Desde que chegámos à administração, não há serviços a fechar, como é exemplo as urgências. A maternidade chegou a estar fechada. Os serviços de urgência do hospital de Seia chegaram a estar fechados. Os serviços de urgência básica do hospital de Vila Nova de Foz Côa chegaram a estar encerrados. Desde que estamos no Conselho de Administração que nada fechou. Os serviços estão abertos permanentemente, 24 horas por dia, todos os dias da semana, e posso-lhe dizer que isso não é uma situação comum em muitos hospitais. O caso da maternidade também é uma situação que nos orgulha, temos grávidas que vêm do Algarve, Porto, Lisboa para fazer partos connosco. Tivemos uma evolução muito grande no número de partos e podemos dizer que temos um número bastante estável que nos permite ter esperança de que é uma maternidade para continuar e que não será uma maternidade para fechar, os números que temos atualmente permitem-nos dizer que seria profundamente injusto se existisse uma reorganização ao nível das maternidades na zona da Beira.
P – Qual é a mudança que um utente que vá ao Hospital da Guarda sente?
R – A primeira coisa que as pessoas sentem imediatamente, e que as tranquiliza, é saberem que os serviços estão abertos, saberem que têm os serviços de urgência abertos e a funcionar em permanência. Mas, para além disso, nós também melhorámos muito ao nível dos cuidados de saúde primários. Eu posso dizer que a ULS da Guarda quando nós chegámos, há dois anos, tinha três Unidades de Saúde Familiar, neste momento temos dez a funcionar, e estão mais duas em plano. Foi aprovado o processo para uma USF em Fornos de Algodres e, portanto, em breve serão 11. Fornos é uma zona do interior de baixa densidade, com muitas carências de médicos e também de recursos, e nós conseguimos atrair pessoas. Muitas vezes as pessoas de Fornos de Algodres optam logo por ir para Viseu em vez de ir para a Guarda. Quero alterar tudo isso. Quero que as pessoas do distrito da Guarda tenham os mesmos direitos que as pessoas do distrito de Viseu, porque efetivamente pagam os mesmos impostos e são seres dotados dos mesmos direitos e dos mesmos deveres. Concordo que não podemos ter tudo em todo lado ao mesmo tempo e que há determinados serviços, determinadas especialidades que, pela sua complexidade e também pelos custos não possam funcionar em todos os hospitais e que tenham de estar concentradas, concordo com as urgências regionais, concordo com as reformas que têm sido feitas na área da saúde, sobretudo porque não há recursos para podermos ter todos os serviços em todo lado ao mesmo tempo, sobretudo não há médicos especialistas em todas as áreas. Mas falando nesta questão, em particular da parte regional, há pouco tempo vi que houve uma movimentação muito grande para reivindicar o Centro Oncológico das Beiras. Eu concordo com a criação do centro oncológico, mas a ser criado terá de ter necessariamente a sua sede na Guarda. Espero que não tenha envolvido pessoas da Guarda, a não ser que essas pessoas estivessem a reivindicar que só a Guarda tem condições para ter o Centro Oncológico da Beira Interior. A ULS da Guarda é a única que tem um serviço de oncologia que funciona em pleno, que tem no seu quadro médicos oncologistas. No hospital da Covilhã não existe serviço de oncologia como existe na Guarda. O nosso serviço de oncologia, para além de ter médicos oncologistas em permanência, tem médicos de medicina interna, tem hematologistas, urologistas, tem gastroenterológicos, temos várias especialidades, é uma equipa multidisciplinar. Esta equipa tem a virtude de não ter lista de espera e, portanto, isso não é comum. Os nossos doentes estão todos a ser acompanhados. Temos capacidade para receber mais doentes. A nossa localização é estratégica e quando eu disse que não podemos ter tudo ao mesmo tempo, temos de reparar que há pouco tempo foi feito um investimento muito grande pelo governo em radioterapia, que funciona em Viseu e, portanto, não podemos ter aceleradores de partículas em todo o lado, nem equipamentos que que custam milhões de euros em todo o lado. Não podemos esperar que se compraram um para Viseu, comprem um para a Covilhã e comprem um para Castelo Branco. Não há dinheiro. E nem sequer há médicos para trabalhar com esses equipamentos. Será muito mais confortável para um doente oncológico fazer os tratamentos que precisar ao nível da radioterapia, por exemplo, em Viseu. A Guarda tem uma posição estratégica que lhe permite dizer que a existir um centro oncológico das Beiras necessariamente teria de existir na Guarda. Vou lutar por isso.
P – Está em condições de afirmar que nos próximos tempos, seguramente, as urgências não vão voltar a encerrar?
R – Gostaria que nenhuma urgência encerrasse. A minha palavra e a palavra que eu quero deixar é uma palavra de confiança. Sabemos que estas situações são mutáveis e que, a qualquer momento, pode existir um médico que fica doente, um médico que tem um imprevisto e pode não ser possível substituí-lo… Estamos a trabalhar para ter uma equipa que se pode revezar e que pode colmatar estas falhas.
P – No interior do país o problema é quase sempre o mesmo: a falta de médicos. Já disse que tem conseguido colmatar esse problema, e que no Hospital da Guarda tem conseguido gerir as equipas por forma a que a falta de médicos não seja uma evidência. Como é que vê a possibilidade das unidades de saúde familiar dos nossos concelhos, poderem ter mais médicos e mais técnicos de saúde?
R – No final do ano de 2024 assinaram contrato com a ULS da Guarda quatro médicos. Um ano depois, em 2025, assinaram contrato com a ULS-G 13 médicos e no ano corrente assinaram contrato com a ULS mais 22 médicos. E para além destes 22 médicos, eu posso-lhe dizer que, neste momento, temos prestadores de serviço que prestam serviços na Guarda nas mais diversas especialidades. São 286 médicos, mas passarmos de 5 médicos para 22 médicos é absolutamente significativo. É o maior aumento de sempre. A ULS da Guarda nunca contratou tantos médicos, nem foi tão procurada como está a ser. Médicos de medicina geral e familiar, só este ano nós contratámos 14. Orgulhamo-nos muito de nove dos nossos 13 concelhos terem uma cobertura total de 100 por cento da população com médico de família. Em todo o distrito temos uma cobertura total de 93 por cento de utentes com médico de família. Nós sabemos como uma USF traz mais estabilidade para as equipas, traz cuidados de saúde mais próximos. Mas também traz consigo um alargamento dos horários e, portanto, nós temos muitos muitas unidades de saúde que passaram a trabalhar até às 20 horas e que passaram também a trabalhar aos sábados. As pessoas não têm que se dirigir à urgência com tanta frequência porque têm os seus centros de saúde e as suas unidades familiares a trabalhar. Duplicámos a realização de exames descentralizados, como espirometrias ou exames Holter. Integrámos as equipas. Fizemos empreitadas em quase todas as sedes das unidades de cuidados de saúde primários, fizemos intervenções em Almeida, em Vilar Formoso, Fornos de Algodres, Figueira de Castelo Rodrigo, Mêda, Pinhel, Soito, Seia, e Trancoso, Vila Franca das Naves, Celorico da Beira, Sabugal e na Guarda. Algumas destas intervenções ascenderam a mais de dois milhões de euros. O PRR foi uma oportunidade de transformação na saúde. E nós tivemos de agarrar essa oportunidade, tivemos de ser mais rápidos, agarrá-la e conseguir trazer investimentos para a Guarda.
P – A Ortopedia é quase sempre um problema nos hospitais. Como está a situação na Guarda?
R – A ortopedia é um problema em todo o país e também já foi um problema muito grande na Guarda. A ULSG tem assegurado a urgência de ortopedia sempre, portanto, o que acontecia aqui há uns anos já não acontece. O serviço de ortopedia tem tido as suas escalas preenchidas. Temos uma população muito envelhecida e nós deparamo-nos com um número muito grande de utentes com fratura do fémur e da anca, que são cirurgias complexas muito comuns, que têm de ser feitas num curto espaço de tempo, e que ocorrem diariamente na nossa ULS, devido às quedas, quedas em casa, quedas em lares e tem sido muito difícil, mas o serviço de ortopedia tem conhecido uma fase de crescimento e de produção. Posso-lhe dizer que há mais de 10 anos que nós não fazíamos cirurgia da coluna. A Guarda voltou a fazer. Este ano já foram feitas mais de nove mil consultas de ortopedia. Os tempos de espera de cirurgia estão a ser cumpridos. A equipa tem feito um esforço absolutamente estoico. O mesmo acontece com a oftalmologia, estivemos sem fazer qualquer cirurgia das cataratas durante sete anos na Guarda. Conseguimos recuperá-la. Essas e outras intervenções.
P – Quem liga para a ULS ou vai ao hospital, muitas vezes quer saber quanto tempo vai esperar? Em que especialidades é que pode haver mais preocupação ou que deveremos estar mais atentos ou que mais a preocupam em termos de tempos de espera?
R – As listas de espera têm estado controladas. Os tempos têm reduzido. Nunca tinham sido feitos exames de gastroenterologia com sedação fora do bloco e nós iniciámos este mês. Portanto, é mais uma oferta que temos na ULS da Guarda e tudo isso melhora os tempos de espera, melhora as consultas, melhora a saúde do utente e faz com que as pessoas não tenham tanta ansiedade.
P – Quais são as maiores fragilidades da ULS da Guarda e do Hospital da Guarda?
R – Há fragilidades que eu considero mais importantes. A qualquer momento e sendo nós uma unidade com poucos médicos, que é o recurso humano com mais carência, faltando um ou dois médicos, isso pode desestabilizar uma equipa e cair todo um sistema que está montado de consultas, urgências e atividade essencial. A nossa aposta tem sido poder dar melhores condições de trabalho aos nossos trabalhadores e que os horários possam ser melhor compatibilizados com os interesses da instituição, mas também com os seus interesses pessoais.
P – Quando chegou à presidência da ULS, encontrou uma instituição que descreveu como estagnada. Hoje, qual é que é o principal problema que ainda não conseguiu resolver?
R – A reabilitação do Pavilhão das medicinas, o Pavilhão Sousa Martins, preocupa-me sobremaneira. Por mim seria recuperado, mas estamos a falar de uma obra que, para ser recuperada de forma digna, de acordo com todas as normas hospitalares que hoje em dia são exigidas, estamos a falar de um telhado com uma dimensão imensa, muitas janelas, corredores, equipamentos médicos… Estamos a falar de cerca de 60 milhões de euros para recuperar aquela unidade. Ali funciona não só a medicina, mas a cardiologia, a unidade de AVC’s ou oncologia. A medicina interna é uma das especialidades mais importantes, mais estruturantes do Hospital Sousa Martins. Há um projeto, temos percorrido esse percurso, temos tentado que haja financiamento. Temos pena de ter chegado numa altura em que, como sabe, o PRR já estava a decorrer.
P – Um dos pavilhões que marca o Parque da Saúde da Guarda é o pavilhão Rainha Dona Amélia, que estava em ruínas há muitos anos. Entretanto, há precisamente um ano, deflagrou um incêndio no interior do pavilhão abandonado destruindo por completo o seu interior. Há muito que ouvimos falar de recuperar esse histórico imóvel do sanatório da Guarda. Vai haver algum projeto? Tem alguma ideia?
R – Foi uma tristeza quando as chamas deflagraram. Eu estava lá, fui a correr, acordei naquela noite e as lágrimas caíam-me enquanto eu vi as chamas e os bombeiros a apagarem tudo o que podiam com água. O prédio encontrava-se absolutamente devoluto. Todo consumido pelo tempo, pela vegetação, o que sobrou era aquilo que já tínhamos, uma parte da construção metálica de ferro e aquela fachada em que o granito foi mais forte, porque interiormente já não havia nada. Já estava tudo destruído antes do incêndio. O património foi com os anos sendo destruído. Sou gestora da ULS da Guarda e a nossa prioridade é a prestação de cuidados de saúde e, portanto, a nossa prioridade começou por ser, como já se apercebeu, reabilitar património, mas património onde está a ser exercida a atividade, porque nós temos a nossa responsabilidade histórica. A Guarda deve unir-se para reabilitar o seu património histórico, mas não podemos esquecer que a nossa missão é prestar cuidados de saúde. Temos de nos focar na prestação de cuidados de saúde e considero, neste momento, uma prioridade muito superior, conseguir reabilitar o edifício onde temos 70 doentes de medicina internados, onde temos 30 doentes na unidade de AVCs, onde temos a cardiologia, onde temos uma série de serviços a funcionar, onde funciona todo o serviço de medicina física e reabilitação, toda a fisioterapia. Tenho a certeza que os utentes da Guarda não nos iriam desculpar se começássemos a apostar na reabilitação de um edifício e mantivéssemos uma enfermaria onde escorre a água.
P – Ou seja, não sendo essa a missão da ULS, tanto o Dona Amélia como também o António Lencastre não são prioridades.
R – São prioridades, mas não são prioridades dentro da hierarquia de prioridades. O António Lencastre, como sabe, tivemos um concurso aberto, tínhamos financiamento, abrimos o concurso, creio que chegámos a abri-lo três vezes, mas como a obra era tão grande e o prazo para terminar era muito curto, não houve ninguém que se quisesse candidatar. Não há outra hipótese a não ser que outras candidaturas venham. Quando chegámos tínhamos para o Departamento de Psiquiatria e saúde mental um projeto. Era a única coisa que tínhamos, um projeto de arquitetura, em que as primeiras reuniões que nós tivemos com a tutela foi-nos pedido que desistíssemos do projeto para que o nosso dinheiro pudesse ser alocado a outro projeto. Porque o nosso projeto era impossível de fazer no prazo PRR. O que nós decidimos foi fazer um novo projeto de arquitetura com uma obra que fosse exequível dentro de prazo PRR e iniciar a obra o mais rapidamente possível. Hoje podemos dizer que temos ali um departamento de psiquiatria e saúde mental que nos custou 3,2 milhões de euros, financiado com verbas PRR.
P – Foram anunciados os novos equipamentos de imagiologia. Isso significa que um doente da Guarda que hoje precisa de fazer determinado exame fora da região, poderá deixar de sair da cidade para o fazer?
R – Sim, temos novos equipamentos de TAC e de ressonância magnética. Temos também uma nova sala de raio-X convencional.
P – Ouvimos falar muitas vezes de processos disciplinares e de situações de algum tipo de conflito entre a administração e alguns dos seus profissionais. Quantos processos disciplinares é que a administração da ULS fez aos seus profissionais?
R – Há correspondência com a realidade. Como é óbvio. Nós somos uma instituição, como lhe disse, onde trabalham quase 2.600 pessoas. Estranho era que não existissem conflitos. A ULS da Guarda tem instruídos vários processos aos seus trabalhadores. Não consigo dizer quantos, mas vários, mas há uma coisa que eu lhe quero dizer, processos instruídos por iniciativa do Conselho de Administração da ULS da Guarda durante o meu mandato existiu apenas um. Todos os outros processos que estão a decorrer ou que decorreram sejam de inquérito, sejam processos de natureza disciplinar ou processos disciplinares comuns, foram processos que tiveram na origem de participações de colegas ou dirigentes de serviços, por iniciativa do Conselho de Administração, apenas um processo foi levantado.
P – Como é que uma ULS que serve um território de baixa densidade populacional consegue garantir proximidade a pessoas idosas que vivem longe dos principais centros urbanos?
R – Nós adquirimos 4 viaturas pelo PRR, são unidades móveis de saúde para levar serviços de saúde às populações. São unidades nas quais vai um assistente técnico, um médico e um enfermeiro fazer consultas. Estas unidades móveis relevaram-se de maior importância porque têm sido feitas muitas viagens para vacinação. Temos levado a vacinação junto daquelas pessoas que estão mais distantes ou que estão com problemas de mobilidade, apostamos também muito nas visitas domiciliárias das equipas, não só o hospital de dia, como também as UCC’s, equipas de enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos e nutricionistas que se deslocam à casa das pessoas para fazer consultas e visitas domiciliárias. Temos também as visitas domiciliárias que são feitas pelos médicos de família. Nós temos tido também uma política de proximidade. Não conseguimos que os novos médicos consigam ter um horário que lhes permita dar assistência no centro de saúde na sede e também irá ir às extensões.
P – O seu mandato termina em dezembro, se for reconduzida, qual é a mudança que daqui a uns anos gostaria que eu lhe perguntasse se conseguiu concretizar?
R – A obra do pavilhão Sousa Martins é aquilo que eu mais gostava. Eu já chorei muitas vezes quando fui à medicina e já me senti mal muitas vezes quando vi que havia gabinetes de enfermagem com o teto a escorrer água e com bolores. O nosso serviço de urgência é muito pressionado, tem uma procura muito grande, sobretudo de idosos. Vamos tentar fazer algum investimento no serviço de urgência, porque nós temos um serviço de urgência que foi programado para ter 17 macas e nós temos dias em que temos lá 70 macas. Portanto, temos muita afluência às urgências e precisamos também fazer crescer o nosso serviço de urgência e também acho triste que muitas vezes as pessoas tenham de ficar ali no corredor, por vezes um ou dois dias à espera, e isso também acho desumano. É uma coisa que queremos melhorar, mas de facto, o grande projeto será, como disse o Pavilhão das Medicinas.
Entrevista a Rita Teimão Figueiredo, presidente do Conselho de Administração da ULS-Guarda



