Sociedade

Cinco investigadores da Universidade Politécnica da Guarda entre os mais citados do mundo pelo segundo ano consecutivo

Escrito por Luís Martins

Entretanto, docentes do Departamento de Desporto venceram o prémio de melhor artigo científico publicado na revista especializada “Sports”

A Universidade Politécnica da Guarda (UPG) teve, pelo segundo ano consecutivo, cinco investigadores entre os 2 por cento de cientistas mais citados do mundo, segundo o mais prestigiado ranking mundial de investigação.

A prestigiada lista “World’s Top 2% Scientists 2026” foi elaborada pela Universidade de Stanford (EUA) em colaboração com a Elsevier. Segundo a UPG, a presença dos cinco docentes e investigadores neste grupo «restrito e de maior impacto científico a nível mundial» resulta dos indicadores de citação da base de dados Scopus, uma das maiores e mais completas plataformas de indexação de publicações científicas a nível mundial – também gerida pela Elsevier. A lista baseia-se em métricas de citação padronizadas que incluem citações totais, sendo que os dados extraídos da base de dados Scopus estão atualizados até ao final de 2025. A seleção incluiu os 100 mil melhores cientistas por c-score (com e sem autocitações) ou numa classificação de percentil igual ou superior a 2% na subárea, especificou a UPG. A versão agora divulgada baseia-se no instantâneo da Scopus a 1 de agosto de 2026, atualizado até ao final do ano de citação de 2025.

«A confirmação, pelo segundo ano consecutivo, do interesse que o trabalho de investigadores da Universidade Politécnica da Guarda desperta nos meios académicos mundiais constitui um reconhecimento importante da capacidade científica que temos vindo a construir”, afirmou Joaquim Brigas, reitor da UPG, citado num comunicado enviado a O INTERIOR. Para o responsável, este resultado «valoriza o trabalho dos nossos investigadores e equipas e demonstra que a UPG dispõe de competências e de capacidade científica para continuar a crescer e a afirmar-se dentro e fora do país».

Joaquim Brigas acrescentou ainda que o destaque é «um bom reflexo» do trabalho desenvolvido pelas equipas e unidades de investigação da UPG em projetos científicos e redes de colaboração nacionais e internacionais. «É um universo de 136 milhões de euros aplicados em ciência, dos quais a UPG gere diretamente 15,5 milhões. Só em junho e julho passados, este trabalho resultou em dois pedidos de patentes nacionais e um pedido de patente internacional», lembrou a UPG.

Entretanto, uma equipa de investigadores do Departamento de Desporto venceu o prémio de melhor artigo científico publicado na revista especializada “Sports”. Trata-se de um estudo sobre os efeitos da prática desportiva na inteligência emocional, autoestima e satisfação com a vida dos jovens que foi desenvolvido por Miguel Fernandes, Pedro Esteves e Teresa Fonseca, que integram o SPRINT – Centro de Investigação e Inovação em Desporto, Atividade Física e Saúde, com a colaboração de Aristides Rodrigues, investigador e docente da Universidade de Coimbra. O trabalho analisou os efeitos comparativos de diferentes tipos de envolvimento desportivo – em equipa, individual e não participação – nas diferentes variáveis selecionadas. A investigação envolveu uma amostra de 1.053 adolescentes portugueses (612 raparigas e 441 rapazes), com idades entre os 12 e 18 anos, que preencheram instrumentos de autoavaliação, de autorresposta e de perceção da inteligência emocional.

Foram também utilizadas a “Escala de Autoestima de Rosenberg”, teste psicológico que mede a autoestima global e o valor próprio de um indivíduo, e a “Escala de Satisfação com a Vida”, que avalia o julgamento cognitivo global da satisfação de um indivíduo com a própria vida. «O estudo concluiu que a participação em desportos juvenis organizados contribui para o desenvolvimento de dimensões específicas da inteligência emocional, nomeadamente a utilização das emoções e da autoavaliação emocional», adiantou a UPG. Estas, por sua vez, conduzem «a níveis mais elevados de autoestima e de satisfação com a vida». O trabalho revelou também que, «tanto a participação em desportos coletivos, como individuais, está associada a níveis mais elevados de utilização das emoções, quando comparada com adolescentes não praticantes de qualquer atividade desportiva».

Segundo a UPG, são objetivos do SPRINT «o desenvolvimento de investigação aplicada nas áreas do desporto, da atividade física e da saúde, pela formação científica de jovens investigadores e estudantes e pela criação de oportunidades de emprego científico». Atualmente, o centro tem 86 investigadores doutorados integrados, mais de 70 colaboradores e 12 estudantes de doutoramento afiliados que investigam o “Comportamento Humano e Desempenho Desportivo” e “Atividade Física e Comunidades Sustentáveis”.

 

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Luís Martins

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