Sociedade

Porto Seco da Guarda inaugurado na sexta-feira

Escrito por Luís Martins

Operação da infraestrutura foi atribuída pela APDL à empresa turca Ylport

O Porto Seco da Guarda vai ser inaugurado esta sexta-feira no terminal ferroviário de mercadorias da cidade, após um investimento de cerca de 3,6 milhões de euros. A infraestrutura concessionada à APDL (Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo) será gerida por uma empresa turca, a Yilport, que já operou nos portos de Leixões e Lisboa, bem como em Espanha.

«É uma grande inauguração para o futuro da Guarda, para captar mais investimentos e a atenção pública nacional», disse Sérgio Costa, presidente da Câmara, a O INTERIOR. «O Porto Seco será um ponto de viragem para a Guarda e para a região. Na medida em que muitas empresas, não só na Guarda, mas também de Castelo Branco, Viseu ou do nordeste transmontano, poderão aproveitar os serviços aduaneiros que vamos passar a ter para poder fazer importação, exportação, agregação e desagregação de mercadorias», realçou.

O autarca confirmou que a Ylport foi o operador contratualizado pela APDL para trabalhar na Guarda. «Trata-se de uma empresa turca, mas que é conhecida deste meio e já geriu um grande conjunto de portos marítimos e secos em Portugal e Espanha», adiantou. No arranque do Porto Seco, Sérgio Costa pediu «compreensão» aos moradores do Bairro de Nossa Senhora de Fátima e zona envolvente da estação de caminhos de ferro porque «poderá haver algum constrangimento nesta fase inicial». O edil guardense tranquilizou os residentes garantindo que «não vamos ter, de um dia para o outro, centenas ou dezenas de camiões» a circular para o Porto Seco. Só faltará conhecer os projetos das variantes da Sequeira e dos Galegos, considerados decisivos para aluviar o trânsito naquela zona da cidade.

«Serão muito importantes, vão revolucionar o trânsito, não só naquela zona, mas também na ligação entre a cidade a nascente e a cidade a poente, num investimento de perto de 20 milhões de euros da Infraestruturas de Portugal», lembrou. A primeira fase do Porto Seco da Guarda contemplou a construção de um edifício administrativo para serviços aduaneiros e inspeções físicas, e a extensão das vias-férreas existentes de forma a acomodar comboios de mercadorias com 750 metros de comprimento. Incluiu também trabalhos de terraplanagem para permitir «a movimentação de mais de 45.000 contentores de 20 pés por ano» e a vedação do perímetro e controlo de acessos.

Foram ainda instaladas fontes de alimentação elétrica para a ligação de contentores frigoríficos, telecomunicações e circuito de videovigilância, de uma báscula rodoviária e barreiras acústicas e integração paisagística. A obra incluiu igualmente a alteração da passagem de peões para garantir a segurança da circulação pedonal perante o tráfego ferroviário e logístico do terminal. «Os portos secos assumem um papel estratégico nas cadeias logísticas multimodais, funcionando como plataformas de concentração de mercadorias, armazenamento de contentores vazios e prestação de serviços logísticos de valor acrescentado», referiu a APDL em maio de 2025, tendo defendido que o Porto Seco da Guarda é «fundamental para fortalecer a eficácia da ligação de carga aos portos marítimos do Atlântico e Espanha através da ferrovia».

«A sua integração eficiente com os portos marítimos, operadores ferroviários e rodoviários, bem como com os sistemas de informação e controlo, é fundamental para a competitividade do setor», sublinhou a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo. Com este projeto, a APDL considera que «reforça o seu compromisso contínuo com a modernização das infraestruturas e a eficiência dos transportes e logística em Portugal, contribuindo para a competitividade da economia nacional e para uma mobilidade mais sustentável e integrada». Em dezembro de 2021, o Conselho de Ministros reconheceu ao projeto da Guarda o estatuto de primeiro Porto Seco do país. Através do decreto-lei que transferiu a gestão do terminal ferroviário de mercadorias da Guarda para APDL, publicado em março de 2022, dizia-se que o objetivo é transformar a cidade «numa âncora logística fundamental no interior do país», fortalecendo a ligação de carga aos portos do Atlântico e Espanha através da ferrovia.

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