Sociedade

Oftalmologista Henrique Fernandes julgado por dar prioridade a doentes do privado

Escrito por ointerior

O médico oftalmologista Henrique Fernandes vai a julgamento por abuso de poder, após ter permitido que mais de 1.600 doentes a quem deu consulta no privado tenham passado à frente da lista de espera do serviço de Oftalmologia do Hospital Sousa Martins, na Guarda, noticiou esta terça-feira o “Jornal de Notícias”.
Segundo a acusação, após a realização da consulta do utente no seu consultório particular dizia ao mesmo para o contactar no dia seguinte, via telefone, «(…) para que agendassem/registassem a consulta/exame no público». De acordo com o Ministério Público (MP), o médico quase não atendia os doentes que aguardavam há meses ou anos por consulta no serviço de Oftalmologia do hospital guardense, sendo o único médico do quadro. Em contrapartida, quem pagava entre 60 e 80 euros por consulta nas clínicas privadas da Guarda, Seia e Mêda era observado no hospital em cerca de um mês. A investigação apurou que, dos 598 doentes que observou no hospital guardense em 2020, o médico atendeu 496 utentes encaminhados das clínicas; em 2024 atendeu 442, sendo que apenas um não tinha tido essa proveniência.
Em declarações ao diário, Henrique Fernandes não negou a acusação, mas garantiu que vai continuar a aplicar o mesmo procedimento e «arrasar as acusações». O médico acrescentou que pagou quase «50 mil euros» em equipamento para o hospital da Guarda, há mais de 20 anos, e que causa «azia nos interesses instalados» no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Henrique Fernandes, de 65 anos, foi acusado em setembro e pediu abertura de instrução, tendo o juiz do Tribunal da Guarda confirmado, no início deste mês, que o caso vai a julgamento. Para o juiz de instrução, o alegado abuso de poder teve três motivações: «Interesse económico, com mais de 50 mil euros faturados em consultas privadas num só ano, conflitos com administrações hospitalares e a ambição de liderar o serviço de Oftalmologia», realçou o JN.

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