Sociedade

40 anos de história e brinquedos

Escrito por Sofia Craveiro

Fundada oficialmente a 28 de agosto de 1979, a Associação de Jogos Tradicionais da Guarda comemora quatro décadas de trabalho de dinamização, registo, documentação e divulgação deste património, que resiste e persiste apesar das dificuldades.

A Associação de Jogos Tradicionais da Guarda (AJTG) foi fundada oficialmente há 40 anos. À época, era designada como Associação Distrital de Jogos Tradicionais e do Lazer do Distrito da Guarda. Hoje é a mais antiga do país relacionada com jogos tradicionais, sendo neste momento a única com abrangência distrital.
A coletividade surgiu da vontade de preservar o «valioso património que representam estes jogos e que corria o risco de desaparecer sem que nada ficasse registado», recorda Norberto Gonçalves, presidente da associação desde 1988. Na sua génese, a ATJG bebeu das aprendizagens feitas em ações de dinamização cultural levadas a cabo, sobretudo, pelo Movimento das Forças Armadas, no pós-25 de Abril. Quando iniciou atividade, grande parte dos jogos tradicionais conhecidos eram apenas memórias e relatos, sem documentação ou explicação formal de regras. Hoje, e após décadas de dedicação a um património que perde cada vez mais adeptos, a associação conseguiu não só reunir um vasto espólio de objetos lúdicos deste tipo – regionais, nacionais e internacionais –, como continua o trabalho de colaboração com coletividades locais, participa em romarias, organiza festivais e atividades alusivas à temática, realiza exposições e elabora publicações, além de estabelecer parcerias com organizações da especialidade em diversos países.
Neste momento a AJTG possui cerca de «seis dezenas de associados coletivos e quase duas centenas de sócios individuais», segundo Norberto Gonçalves, que afirma que o objetivo de cativar mais membros sempre foi o de «fomentar o associativismo de outras coletividades, a partir daqui» e dos jogos que divulgava (o que foi conseguido). Entre as várias iniciativas concretizadas o destaque vai para os campos de férias, colóquios, seminários e, em especial, para a quarta Festa Internacional de Jogos Tradicionais, «que foi de grande relevância na Guarda, em 1990». Este evento, que durou uma semana, «trouxe à cidade delegações de cinco continentes e teve 98 espetáculos culturais espalhados pelos concelhos do distrito, o que envolveu mais de 100 pessoas a trabalhar durante o ano inteiro», adianta o responsável.
Atualmente, a Associação de Jogos Tradicionais possui uma funcionária a tempo inteiro, além de contar com a colaboração de jovens voluntários da região. José Nunes, de 19 anos e natural da Guarda, é um deles. «Na minha idade não há ninguém que se interesse por jogos tradicionais», lamenta o jovem, que há cerca de quatro anos colabora com a AJTG. «É uma pena, pois a minha geração é muito agarrada à tecnologia, mas isso deve-se, em grande medida, ao facto de não termos opção porque assim fomos ensinados», justifica José Nunes. Por agora, a data comemorativa da associação ficará por assinalar, mas os projetos da sua fundação continuam bem vivos e a ser desenvolvidos. «Um dia estes jogos farão apenas parte da memória», lamenta Norberto Gonçalves, «mas até lá continuamos a mostrar a sua importância e valor».

Sofia Craveiro

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