Neste início de legislatura, o programa do XXV Governo Constitucional acaba de ser discutido e a moção de rejeição apresentada pelo PCP foi reprovada, a pergunta que se coloca é: Quanto tempo irá durar?
Antes de dar a minha resposta, vejamos o que foi discutido nos dias 17 e 18 de junho: o programa do Governo.
Analisando a semântica, encontramos, na generalidade, verbos de ação que ficam bem em qualquer documento político, mas não comprometem o decisor. Termos como «apostar», «apoiar», «desenvolver» ou mesmo a tentativa de criação de doutrina estratégica com o «multilateralismo bilateralizado», mais não é do que não dizer nada com belas palavras.
Apostar, apoiar, desenvolver, só garantem algo ao cidadão comum se vierem acompanhados com metas tangíveis, mensuráveis e temporizadas. Nada! Nada disso se encontra no programa do Governo.
A única que é apresentada com uma data específica é o objetivo de alcançar os 2% do PIB em investimento na defesa nacional. Podemos concordar ou não, mas é a única medida onde, no final do ano, se escrutinará sobre o seu cumprimento. O restante é, no meu entendimento, mais do mesmo, ou seja, nada.
Faz lembrar a história de Frederico II da Prússia, que terá prometido ao seu povo uma Constituição. Não disse quando, pelo que, mesmo não lha tendo dado, não falhou à promessa… Assim está este programa de Governo, muita promessa, mas sem ambição, sem espírito reformista, sem, sem, sem… O grave é que já nos habituámos a tal!
No entanto, apesar de tão pouca coisa, e respondendo à questão inicial, esta legislatura poderá durar os quatro anos!
Senão vejamos, compromissos que possam pôr em causa o equilíbrio com o parceiro do “bloco central de interesses” não existem. Esse partido, o Partido Socialista, vive uma crise profunda, direi que existencial, e precisa de tempo, de muito tempo, para tentar reorganizar-se. É, pois, provável que, apesar de ir tentando apresentar provas de vida ao longo destes quatro anos, com uma ou outra proposta mais ideológica, para “marcar território”, irá render-se à aprovação dos subsequentes Orçamentos de Estado, não votará contra qualquer moção de confiança, nem a favor de qualquer moção de rejeição, que venha a ser apresentada e que possa fazer cair o Governo, provocando eleições antecipadas. O termo “eleições” deve estar vedado, proibido de ser utilizado, no Largo do Rato!
Caros guardenses, iremos ter eleições autárquicas em breve. Estou em crer que o imobilismo do poder central, votando ao esquecimento, como sempre, as gentes do interior, só poderá ser combatido com um poder local forte, com visão, verdadeiramente reformista e disruptivo.
Vamos ter essa oportunidade. Irão ser apresentadas candidaturas do “tudo como d’antes” e candidaturas reformistas. Cabe ao eleitor decidir o que pretende, sabendo que, no final, a vontade do povo será sempre a melhor decisão.
Lembro que, se o poder central se esquece de nós, então elejamos aqueles que, ao nosso lado, não se esquecem.
As autárquicas são, assim, a forma de cada eleitor poder dar um murro na mesa e dizer: Se em Lisboa não cuidam de nós, nós cuidamos!!!
* Deputado do Chega na Assembleia da República eleito pelo círculo da Guarda


