P- O que é o New Hand Lab?
R- O New Hand Lab é a evolução de uma fábrica de lanifícios da Covilhã do empresário e debuxador (designer) Júlio Afonso para um espaço que promove a inovação, o empreendedorismo, e que pretende prestar um tributo ao seu fundador através da concretização de ideias, produtos e iniciativas, de modo a impulsionar a Covilhã e a Beira Interior no país e no mundo, tendo como fio condutor a lã.
P- Como surgiu esta ideia?
R- Do querer manter a identidade do atual edifício, datado de 1853 e que laborou até 2002, tendo sido uma fábrica de referência no tecido empresarial da Covilhã. Devido ao seu historial surgiu a necessidade de preservar essa memória. De conversas com um grande amigo, Hélio Soares, e mais tarde com responsáveis da ARPT – Agência Regional de Promoção Turística – Centro de Portugal e, principalmente, com a sua diretora a dra. Marli Monteiro, pensámos enveredar pela vertente artística/ turismo industrial.
P- Que trabalhos têm desenvolvido?
R- Temos feito a divulgação artística da temática da lã e da respetiva indústria que torna a cidade da Covilhã única.
P- Que iniciativas estão previstas?
R- Mais relevante e brevemente (18 de abril) vamos celebrar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios juntamente com a Câmara Municipal da Covilhã e o Clube do Professor. Pretendemos também intervir em peças emblemáticas da indústria de lanifícios e estabelecer iniciativas com algumas entidades culturais.
P- Contam com que apoios?
R- Neste momento contamos com o apoio e grande esforço financeiro da família de Júlio Afonso e com a colaboração dos artistas residentes.
P- Têm espaço para mais artistas?
R- Sim.
P- O New Hand Lab pode vir a ser um ninho de empresas/ criativos?
R- Não, aqui todos os criativos foram convidados pelo seu trabalho único e sensibilidade para a indústria de lanifícios.
P- Porquê comemorar o Dia dos Monumentos em duas antigas fábricas da Covilhã?
R- Este ano, a Câmara da Covilhã decidiu para celebrar o dia dos Monumentos e Sítios o legado histórico e patrimonial da indústria de lanifícios na Ribeira da Carpinteira, que tanto marca a nossa cidade. Estas duas fábricas estão localizadas junto à margem de uma das duas ribeiras que delimitavam a Covilhã, tendo a de António Estrela/ Júlio Afonso particularmente um peso muito significativo na indústria de lanifícios.
P- Acha que o património fabril da Covilhã deveria ser recuperado para outras funções? Como ocupá-lo?
R- Sim, temos edifícios e símbolos com grande valor do ponto de vista da arquitetura industrial que deveriam ser mantidos e conservados de modo a preservar a identidade da Covilhã. Como ocupá-los? Usar da criatividade e imaginação!
Perfil:
Idade: 57 anos
Profissão: Empresário
Naturalidade: Tortosendo (Covilhã)
Currículo: Trabalhei na indústria de lanifícios 30 anos desempenhando varias funções, passando por todas as fases de produção da lã. Há 9 anos fundei a Casa da Lagariça – Castelo Novo e há ano e meio coordeno o projeto New Hand Lab na fábrica António Estrela/ Júlio Afonso na Covilhã.
Livro favorito: “Os Maias”
Filme favorito: “Les uns et les autres”, de Claude Lelouch
Hobbies: Esqui; caminhadas; bricolagem


