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Potencial de retorno da FIT– A Guarda quer saber

Crónica Política

Aguardamos a 3ª edição da FIT (Feira Ibérica de Turismo) a decorrer entre os dias 5 e 8 de maio, quatro dias de folia e desfile, de produtos, instituições e vaidades, a Guarda merece, a Guarda precisa desta e de outras alavancas promotoras de turismo e de serviços.

Estamos já na 3ª edição e até agora ninguém conhece o “follow-up” da 1ª e 2ª edições, estranho que tanto investimento promotor de um verdadeiro motor de arranque do turismo e dos seus produtos não tenha até ao presente um estudo com indicadores de sucesso e de mais valias deste tipo de certames. Certamente que existe, pois aquando da realização das candidaturas aos financiamentos comunitários há a necessidade de provar a viabilidade do certame como agente económico. Onde anda ele, quem o conhece, porque não é público?

Esta 3º edição é potenciada com mais espaço físico para a divulgação, certamente porque há um crescente interesse para quem participa em estar de novo, e há mesmo quem não o tenha conseguido, empresas e instituições ficaram de fora, pois não havia cabimentação para mais, isto é, há mais interessados em participar do que os 126 stands/participantes seriados! Como é feita esta seriação, existe? Quais são os critérios? Não os conhecemos nem estão publicados!

Um certame que se pretende ser a marca da Guarda, como mostra de turismo além-fronteiras, deve reger-se por critérios claros onde a transparência deve imperar, julgo que assim não está a acontecer, feio, muito feio!

Por vezes pequenas coisas fazem estalar o verniz, em especial quando a Guarda não tem uma marca própria, é quase uma cidade “multimarca”, ele é o ar puro, o cobertor de papa, o galo, o São João e agora a FIT e há em todos estes um desajustamento que ninguém percebe que relação poderá existir entre eles, ou se há sequer estratégia de marketing! Pois… esse é o problema! A autarquia convida, por ajuste direto, empresas diferentes para a divulgação, conceção e promoção e depois dá nisto! Não são de cá, fazem tudo desalinhado ou melhor fazem só e apenas para o efeito e nada mais… Precisamos tanto de uma estratégia clara, concisa e promotora verdadeiramente da Guarda, que pena andarmos a brincar às festas para efeitos eleitoralistas.

Essa falta de estratégica é demais evidente na própria conceção dos eventos em cada ano, eles não são estrategicamente pensados, a autarquia anda a brincar ao faz de conta que somos muito trabalhadores, se não vejamos! Como se gere o que está estrategicamente pensado? Com tempo, certo? E o estrategicamente pensado com tempo como se gere? Fazendo aquisição ao melhor preço, certo? E como se faz essa aquisição ao melhor preço do que está estrategicamente pensado? Com contratos públicos que zelam a transparência e onde TODOS podem participar….

Esta é a maior evidência de que se gere e faz sem estratégia nenhuma e até sem respeito pelo zelo do que é da Guarda, pelos dinheiros públicos de todos!

Afinal os certames são realizados por alguns, os contratos feitos por ajuste direto em que as empresas são convidadas a apresentar propostas e recordo, como já aqui disse, os contratos por ajuste direto servem apenas para se sobrepor ao real interesse público. Isto é, havendo uma necessidade rápida para satisfazer algo que não está pensado e que não pode ultrapassar o valor máximo de 74 mil euros.

Então isto é um contrassenso, ou então uma oportunidade política de favorecimento, já que o próprio Regulamento Geral da Feira Ibérica de Turismo 2016, indica no seu artigo 2, nº 1 – «A Feira Ibérica de Turismo tem uma periodicidade anual», in http://www.mun-guarda.pt/conteudos/PublishingImages/FIT/2016/FIT2016-Regulamento.pdf.

Recordamos que Álvaro Amaro, presidente da Câmara da Guarda, referiu que a FIT surge integrada na opção estratégica do atual executivo municipal pretendendo-se com este certame «promover os produtos endógenos da região; dar a conhecer o património natural e histórico; promover a gastronomia; atrair turistas/visitantes; atrair investidores que possam fixar-se na Guarda; promover a troca de experiências entre portugueses e espanhóis, abrindo as portas a novos mercados», tudo frases feitas e ideias, nada mais. Muito “show off”!!! Esta feira não justifica os gastos, AJUSTES DIRETOS ANUNCIADOS já somam o valor de 232 mil euros! A Guarda quer saber os resultados do estudo das duas edições anteriores relativamente aos dois eixos fundamentais que aparecem anunciados na FIT: «aumentar o poder de atração e estimular a economia local».

Vejamos se a FIT pretende ser um produto de marca internacional, em que a Guarda vai estar no mapa da região, do pais, da Península Ibérica e agora além-mar com a participação do Brasil, por que se continua a optar por esta forma pouco clara de continuar a gerir os dinheiros e não se fazem contratos públicos ao invés de se andar a “gerir às malguinhas”. Isto tem certamente explicações que ultrapassam qualquer opinião do contra, há certamente leituras paralelas que são cada vez mais evidentes! Que pena, eu não estou contra, estou é a favor da Guarda, a minha Cidade que quero ver no mapa do progresso, que quero ver no mapa…

Por: Cláudia Teixeira

* Militante do CDS-PP

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