Setenta por cento dos médicos da região Centro, que responderam ao inquérito sobre o alargamento dos horários nas unidades de cuidados de saúde primários, assumem que os centros de saúde não têm condições para ficar abertos até mais tarde como medida para aliviar as urgências hospitalares no inverno.
Esta é a principal conclusão do inquérito realizado pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, a propósito do sistema alargado de atendimento nos centros de saúde no âmbito do Plano de Contingência para Temperaturas Extremas Adversas. Segundo aquela entidade, das respostas obtidas nas Unidades de Saúde Familiar (USF) e Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) da região, «70 por cento consideram que as unidades não têm condições para fazer esse alargamento com os recursos que têm». Os motivos prendem-se com «a falta de recursos humanos, de material, ou a ausência de segurança no centro de saúde, entre outros», refere a Secção Regional da Ordem dos Médicos. Por outro lado, 48 por cento dos inquiridos disse não concordar com o alargamento de horário, uma medida excecional, por considerarem que «não ajudará a descongestionar as urgências hospitalares». Para o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, «este inquérito é importante para perceber o impacto da medida implementada no âmbito do Plano da Gripe. São os profissionais, afinal, quem melhor conhece a realidade dos cuidados de saúde primários». Carlos Cortes sublinha que «não basta dar, apenas, mais responsabilidades aos centros de saúde, é preciso dotá-los, isso sim, de meios técnicos e recursos humanos para que os profissionais possam tratar adequadamente os seus utentes».


