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Já tens uma cor!!!!

mitocôndrias e quasares

Na semana em que foi atribuído o Prémio Nobel da Medicina 2006 a dois investigadores norte-americanos, Andrew Z. Fire e Craig C. Mello, pela descoberta do mecanismo fundamental para o controlo dos fluxos de informações genéticas, recupero neste espaço o tema da Genética, em especial para explicar a ruborização da face de diversos indivíduos que ocorre quando estes ingerem bebidas alcoólicas.

O consumo de bebidas alcoólicas, que apresentam na sua composição álcool etílico, vulgarmente designado por etanol, advém desde o início da História, com os primeiros registos datados, aproximadamente, há 6.000 anos no Egipto antigo e na Babilónia. Desse essa época têm chegado relatos de indivíduos que ficavam alterados física e psicologicamente após a ingestão destas bebidas.

O aparecimento de uma cor vermelho na face é uma das alterações físicas mais evidentes quando ocorre ingestão de álcool por parte dos indivíduos.

Uma das explicações associadas erradamente a este fenómeno é o facto da ingestão de álcool ser responsável pelo aumento da temperatura corporal, que iria provocar a ruborização das faces

Se fosse o aumento temperatura corporal o factor responsável pela ruborização da face, qualquer indivíduo poderia ser um potencial alvo de ocorrência deste fenómeno. Contudo, como podemos observar não é isto que se verifica, o que nos leva a concluir que existe uma outra explicação.

È precisamente neste ponto que entra a genética, mais especificamente a variabilidade genética que os indivíduos apresentam, como resultados de múltiplas combinações genéticas, que permite justificar a ocorrência deste facto.

O ‘síndrome do rubor’ provocado por bebidas alcoólicas é um exemplo bastante simples da variabilidade individual relacionada a factores genéticos. Este síndrome, decorrente do aumento exacerbado da concentração de aldeído acético no sangue, consiste em ‘vermelhidão’ (rubor), tonturas, taquicardia e náuseas, e tem como causa a alteração dos genes de duas enzimas que metabolizam o etanol (figura 1)

Após a ingestão de bebidas alcoólicas, o etanol é transformado em aldeído acético e depois em acetato e água, as alterações genéticos aumentam a actividade da enzima álcool-desidrogenase ou reduzem a da aldeído-desidrogenase, o que tem como consequência a não conversão do aldeído acético existente no sangue em água e acetato. A presença deste composto orgânico – aldeído acético – é responsável pelo aparecimento do ‘síndrome do rubor’.

Deste modo, sempre que um dos seus amigos, durante um jantar, lhe disser que já apresenta uma “corzinha”, já pode afirmar que esse aspecto apenas se deve a uma diferença genética, não estando relacionado com a quantidade de álcool ingerido.

Por: António Costa

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