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IPG e UBI com “sortes” distintas na primeira fase

Os resultados da primeira fase de acesso ao ensino superior foram conhecidos no domingo e confirmaram as expetativas de um ano “negro”

Há 779 lugares por ocupar no Instituto Politécnico da Guarda (IPG) e na Universidade da Beira Interior (UBI), o que representa um agravamento na ordem dos 6 por cento em relação a 2012. As duas instituições ocuparam 1.117 das 1.956 vagas iniciais, acolhendo menos 287 candidatos do que há um ano, sendo que nessa altura disponibilizavam mais 100 vagas (todas no IPG).

Ainda assim, os cenários são distintos: se por um lado a UBI teve uma taxa de ocupação perto dos 77 por cento, já o IPG ficou-se pelos 27,2 por cento. O Politécnico não preencheu 481 dos lugares atribuídos, enquanto na universidade sobraram 298 para a segunda fase de candidaturas. «Os resultados são aquilo que já esperávamos, pois aconteceu em todo o país», disse Constantino Rei a O INTERIOR. O presidente do IPG considera que «ficou demonstrado que as causas não são inerentes à Guarda; têm sobretudo a ver com a demografia e políticas». O responsável lembra casos como o do Politécnico de Bragança, que apresenta uma taxa de ocupação inferior à do IPG depois de alguns anos positivos: «Não se perdeu qualidade, mas faltam candidatos e não há coragem, do ponto de vista político, para mexer nas vagas», assevera.

No entanto, os resultados negativos surpreenderam «nos cursos de saúde e desporto» do Politécnico da Guarda, afirma, salvaguardando que «não esperamos alunos de Engenharia Civil e outros, mas faltam os contingentes especiais». Segundo Constantino Rei, «vamos discutir internamente se é possível inverter este ciclo, falando também com outras instituições da região», sublinha, reiterando que «reverter o rumo dos últimos anos não está nas mãos do Instituto». O IPG não colocou qualquer aluno em Engenharia Civil e Engenharia Topográfica, sendo que nenhum curso ocupou a totalidade das vagas.

Por sua vez, a UBI preencheu 997 das 1.295 vagas iniciais, verificando-se uma quebra na taxa de ocupação em relação ao ano anterior, quando tinha chegado aos 86 por cento. «Ficou dentro das expetativas atendendo à diminuição de 10 por cento dos candidatos relativamente ao ano passado», indica o reitor da UBI, salientando que «temos cursos de reconhecida qualidade na área das engenharias com poucos alunos colocados». António Fidalgo sublinha que «a segunda fase pode trazer-nos mais alguns alunos, mas será muito difícil que preencham a totalidade das vagas». A UBI “esgotou” os lugares oferecidos em 11 cursos, com principal destaque para Medicina, o curso com mais vagas (140). Já o estreante Ciências da Cultura preencheu 11 das 20 vagas.

Vox Pop – Os primeiros caloiros do IPG

Hugo Abrunhosa

Vila Nova de Foz Côa

Idade: 18 anos

Curso: Enfermagem

«Enfermagem nunca foi a minha verdadeira escolha, mas as notas não eram aquelas que pretendia. O mundo evoluiu e houve seleção, só se safam os melhores: quero ser um deles».

João Gomes

Tomar

Idade: 20 anos

Curso: Comunicação e Relações Públicas

«Quero acabar o curso o mais rápido possível e arranjar emprego. A Guarda é menos dispendiosa do que outras cidades, como Coimbra, Lisboa e até mesmo a Covilhã».

Carlos Almeida

Guarda

Idade: 20 anos

Curso: Enfermagem

«Estou a gostar da praxe, estão a tratar-me bem, acho que vai correr tudo bem. Não quero ficar muito tempo no desemprego quando acabar, pelo que emigrar é uma boa opção».

Sara Abrantes

Aveiro

Idade: 18 anos

Curso: Farmácia

«Ainda estou a habituar-me, mas as expetativas são boas, pois espero que seja uma experiência boa e enriquecedora. Estou otimista em relação ao futuro».

Paulo Coelho

Guarda

Idade: 40 anos

Curso: Comunicação Multimédia

«Há 20 anos preferi o caminho do trabalho porque era mais fácil. O mais interessante vai ser confrontar aquilo que vou aprender com os professores e o que posso partilhar da minha experiência profissional».

Bruno Gonçalves

Guarda

Idade: 19 anos

Candidato 2ª fase (Desporto)

«Só consegui ter os exames na segunda fase mas espero conseguir. Acho que quem tem ensino superior tem mais dificuldade em arranjar emprego do que os outros, mas vou tentar a minha sorte».

Sara Quelhas Os alunos do IPG já começaram a receber os “caloiros”

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