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Internista evita colapso da Cardiologia

Correia de Campos revelou que o hospital da Guarda será referência nesta área para a Beira Interior, mas a aposentação de um especialista, na semana passada, voltou a evidenciar a falta de especialistas

Há 15 dias o ministro da Saúde anunciou, com pompa e circunstância, que o novo Hospital Sousa Martins será unidade de referência no tratamento das doenças cardiovasculares na Beira Interior. O que Correia de Campos não podia saber era que, passada uma semana, um dos quatro especialistas daquele serviço se aposentou, voltando a evidenciar a grave carência de cardiologistas na Guarda.

A situação não é nova, tendo-se verificado no Verão passado após a aposentação de Braz Pereira. Desta vez foi o director de serviço, António Raposo, que se reformou, literalmente para desespero de quem fica e tem que assumir escalas de 24 horas todos os dias. O problema é que os três médicos – dois do quadro e um colocado ao abrigo das vagas para carenciados – não têm mãos a medir, até porque o serviço tem a única unidade coronária da Beira Interior a funcionar 24 horas sobre 24. «Braz Pereira continua a dar apoio, mas isso não chega. Precisamos de uma pessoa em permanência», admite Cristina Gamboa, revelando que a administração assumiu, na passada terça-feira, a colocação de um internista na Cardiologia «para nos ajudar». A especialista acredita que essa será a «solução possível» para remediar o problema no imediato, mas não resolverá a crónica falta de cardiologistas.

Até porque o internista, transferido do respectivo serviço do Sousa Martins, não é um cardiologista: «Pode sê-lo após um período de treino, aqui a sua primeira missão será trabalhar na unidade coronária e orientar o internamento», adianta Cristina Gamboa, que confessou estar «mais optimista» com esta medida, esperando que essa ajuda já possa entrar em funções no próximo mês. Caso contrário, as coisas vão complicar-se: «A escala está garantida até Julho, depois vêm as férias e todos nós temos direito gozá-las», refere. De resto, a médica garante que o serviço não fechou no último Verão «à custa de um sacrifício terrível de duas pessoas», o que, no seu caso, se traduziu em quatro fins-de-semana seguidos de trabalho. O serviço, fundado em 1975, dispõe de 26 camas, mais quatro destinadas à unidade coronária. É tido como uma área exemplar no Sousa Martins, estando estreitamento ligado à Pneumologia, outra área de referência na região.

Foi alvo de obras de beneficiação global em 2005, mas o que não tem conseguido resolver é a carência de médicos.

No ano passado, Braz Pereira afirmava a “O Interior” ser «uma vantagem ter gente tão profissional e dedicada na Guarda, caso contrário a Cardiologia já tinha fechado». O mesmo pensa Cristina Gamboa, para quem a situação está a ficar cada vez mais complicada. «Há três anos éramos cinco cardiologistas com experiência. Desses restam dois, mais um que pode concorrer para outro hospital a qualquer momento porque está na Guarda ao abrigo das vagas para carenciados», acrescenta. Quanto ao facto do ministro ter anunciado que, no futuro, a Cardiologia da Guarda seria referência para os habitantes da Beira Interior, «tornando desnecessária a sua referenciação para Lisboa, Coimbra ou Porto», com uma Unidade de Cuidados Intensivos e os meios de diagnóstico «necessários e mais modernos» na especialidade, a médica é lacónica: «É o que se diz, porque o que se faz não tem nada a ver».

Luis Martins

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