A esperança parece ser a última a morrer na Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial (PLIE) da Guarda, mas os sinais de desmotivação começam a surgir passados seis anos sobre o lançamento do projecto. Essa sensação foi evidente na semana passada, durante um seminário e um debate sobre o tema. O próprio Augusto Mateus, contratado pela Câmara para definir as bases da
iniciativa, alertou para o facto de ser ter perdido demasiado tempo e avisou que a PLIE tem que se concretizar nos próximos nove meses para aproveitar os novos fundos estruturais. «Caso contrário, receio que a oportunidade que ainda existe se possa perder», afirmou.
Outra voz dissonante foi José Luís Almeida. O administrador do grupo Joalto, e membro do Conselho de Administração (CA) da sociedade PLIE, assumiu publicamente, pela primeira vez, as suas dúvidas em relação ao projecto. «Actualmente há apenas uma infraestrutura e, se mais nada houver, a PLIE não passa de um “elefante branco”», lamentou, responsabilizando «os vários Governos por não perceberem a importância da logística». A declaração caiu que nem uma bomba no jantar/debate promovido pelo “Público” e o CEC e veio concretizar o desalento revelado à tarde, no seminário organizado pelo Nerga. Aí, o empresário tinha sido mais comedido: «A PLIE resulta de uma terrível contradição. Por um lado, nasceu da localização geoestratégica ímpar da Guarda, mas, por outro, enfrentou cinco anos de dificuldades diversas para a sua concretização e que começaram com a necessidade de apoios a fundo perdido de 65 por cento do investimento», recordou. José Luís Almeida considera que é agora necessário sensibilizar as entidades competentes para «a urgência da conclusão da PLIE», sob pena «das vias que deviam contribuir para o nosso progresso servirem apenas de miradouro para o desenvolvimento dos outros», sentenciou.
Quem continua optimista é Joaquim Valente. O presidente da Câmara, e simultaneamente do CA da sociedade, defende que a iniciativa mantém «todas as condições» para ser um sucesso, até porque integra a rede nacional de plataformas. «Não acredito que se torne desmotivante devido a esta demora. A logística é uma área nova em Portugal e acho que vamos a tempo», afiança, revelando que cerca de 90 por cento do investimento da PLIE está a ser financiado a 65 por cento. Em contrapartida, o projecto demorou bastante tempo a desenvolver-se por causa da legislação. «O Plano de Pormenor levou entre 4 a 5 anos a ficar pronto. O documento já foi aprovado, mas falta agora a sua verificação para ser publicado em “Diário da República”. São estes os circuitos da administração pública portuguesa e não há forma de conseguir ganhar tempo nesses corredores», lamenta. Joaquim Valente acredita que em 2007 haverá condições para a instalação de empresas na Quinta dos Coviais, mas escusa-se a adiantar os preços dos lotes. «Ainda há trabalhos em curso e falta esgotar os financiamentos públicos para ver qual é a comparticipação da própria sociedade. Há estudos, mas é extemporâneo falar em valores», disse.
Luis Martins


