Iniciado que está o novo ano, partilho, em resposta ao desafio lançado por O INTERIOR, a minha expectativa para 2018.
Na minha opinião, os desafios para 2018 nascem nas angústias e com os fracassos com que 2017 nos confrontou. Sem dúvida, o ano de que há apenas alguns dias nos despedimos proporcionou-nos um confronto chocante com a nossa realidade remetendo-nos para aquele que, na minha opinião, é o maior desafio que o nosso país enfrenta, a coesão territorial.
O drama vivido com os incêndios florestais acordou um país adormecido e que frequentemente se reduz à faixa litoral do seu território. Ver Portugal ser consumido pelas chamas sem que houvesse capacidade de resposta, sem que fossem disponibilizados os meios humanos e técnicos necessários, sem que existisse para os recursos existentes a articulação que se impunha, revelou à generalidade dos portugueses a forma desequilibrada como o país se encontra organizado e como é confrangedora a incapacidade do Governo em socorrer os seus cidadãos. Mas quem viu o fogo levar-lhe tudo teve a dura prova de estar votado ao mais total abandono.
E é este o grande desafio do nosso país. Não é um desafio apenas para o ano de 2018. É um compromisso complexo que cabe, em primeira instância, ao Governo, mas também a todos os Portugueses. Ao Governo, porque é ao Governo que cabe a implementação de políticas que permitam a fixação de população nos territórios do interior e, não nos iludamos, o equilíbrio demográfico do país é um pressuposto da coesão territorial. É também ao Governo que compete aprovar as tão reclamadas medidas de diferenciação fiscal a favor dos territórios desertificados, ou como agora lhes chamam, de baixa densidade, das empresas que aí criam emprego e das famílias que, diariamente, assumem e suportam os custos da interioridade. E é também ao Governo que compete implementar a tão aguardada descentralização de competências, mas também de serviços públicos. Não uma descentralização simbólica de competências ou de serviços de pequena dimensão e de pouco significado na Administração Pública. Em 2018, não há argumentos válidos que justifiquem a perpetuidade dos serviços em Lisboa. O distrito da Guarda e todos os outros distritos do interior também são território português.
Aos portugueses que por cá vivem cabe também a missão de, com toda a resiliência que demonstram ter na superação dos desafios e dificuldades com que lidam diariamente, reivindicar que se cumpra Portugal na totalidade do seu território.
O que falta para cumprir este desígnio? Se todos os estudos foram elaborados, se já estão elencadas todas as medidas, nomeadamente ao longo das 144 páginas que constituem o Programa Nacional para a Coesão Territorial. O que impede o Governo de implementar as medidas propostas pela Unidade de Missão, por si criada? A resposta foi dada, de forma clara, pela ex- coordenadora da Unidade, prof. Helena Freitas, em declarações ao jornal “Público”, na edição de 24 de outubro de 2017: falta «apoio político».
O ano de 2018 não começa bem, no que ao cumprimento deste desígnio diz respeito, com o aumento de preços das portagens na A23.
Termino desejando a toda redação do jornal O IINTERIOR, seus colaboradores e leitores um ano novo marcado pelo sucesso e pela realização pessoal e profissional.
Feliz ano novo!
Daniela Capelo*
* Vice-presidente da Câmara de Pinhel


