Arquivo

Caderno de encargos “assusta” transportadoras na Covilhã

Valor do documento passou de 139,82 euros para 25 mil euros, numa subida de 17.857 por cento

A Câmara da Covilhã exige o pagamento de 25 mil euros às empresas interessadas em levantar o caderno de encargos do concurso para a concessão do serviço público de transportes colectivos urbanos. «Um valor elevado» para António Pião, administrador da Auto Transportes do Fundão que, em conjunto com a Joalto, formam a Transcovilhã, um consórcio que opera na cidade há 35 anos (há cerca de 20 com esta designação).

A surpresa surge quando, no concurso anterior entretanto anulado, se pedia «um valor simbólico», de apenas 139,82 euros, quando comparados com os 25 mil euros que agora se exigem. Opinião diferente tem Vítor Marques, vereador dos Transportes na Câmara da Covilhã, que considera tratar-se de «uma taxa sobre um processo volumoso», pelo que a autarquia reclama «um valor razoável». Curiosamente, dadas as verbas envolvidas e após meses de concurso, apenas uma empresa levantou o caderno de encargos até à última terça-feira, dia do fecho desta edição, desconhecendo-se a sua designação. No entanto, Vítor Marques recusa-se «a fazer juízos de valor» ou a associar alguma desmotivação das empresas ao montante em causa. António Pião assume desconhecer o valor que usualmente se pede em concursos desta natureza, mas a dimensão da verba exigida leva a que a transportadora fundanense ainda esteja a equacionar se virá ou não a adquirir o caderno de encargos e se irá participar no concurso público. O responsável não quer entrar em polémicas, acreditando que a edilidade covilhanense «terá as suas razões» para pedir um valor tão elevado. De resto, António Pião acredita que os 25 mil euros exigidos pela autarquia covilhanense servirão «provavelmente para ter alguma garantia de que as empresas que se apresentam a concurso querem de facto assumir o serviço».

Esta não é a primeira situação anormal no decorrer do processo. Recorde-se que no início de Maio a autarquia decidiu anular o concurso para a concessão dos transportes, lançado no ano passado, por pretender alterar o caderno de encargos de modo a ser mais exigente. Um dos motivos que terá estado na origem da anulação do concurso foi a diferença de cerca 400 mil euros entre as duas empresas que então concorreram, tendo a Transcovilhã avançado com a proposta mais baixa, em cerca de 230 mil euros, enquanto a segunda concorrente, uma empresa espanhola, propunha-se cobrar qualquer coisa como 600 mil euros.

Igor de Sousa Costa

Sobre o autor

Deixe comentário