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Autarquia indisponível para alterar PDM

Delphi é proprietária de mais de 50 mil metros quadrados na Guarda-Gare

A Câmara da Guarda avisa que o terreno onde está implantada a Delphi não vai ser reclassificada como área de construção no âmbito da revisão do Plano Director Municipal. «O terreno é para uso industrial e assim continuará no novo PDM», garantiu Joaquim Valente na última reunião do executivo.

Na semana passada, o presidente foi confrontado pelos sindicatos sobre esta matéria, mas, em Dezembro transacto, “O Interior” já tinha noticiado a indisponibilidade da autarquia para essa alteração. É que a Delphi é proprietária dos mais de 50 mil metros quadrados – 20 mil dos quais só de área edificada – onde labora a fábrica e não tencionará perder tudo se a unidade encerrar. A ideia é viabilizar uma classificação como área de construção, o que permitiria a sua colocação no mercado imobiliário e garantiria uma valorização substancial dos terrenos. No entanto, tudo não passou das intenções, uma vez que a equipa responsável pela redefinição do PDM não chegou a ser confrontada com esta solução. O assunto Delphi e as declarações de Manuel Pinho marcaram a sessão da passada quarta-feira, tendo José Gomes considerado que o ministro da Economia ofendeu os guardenses ao tratar a cidade como «uma anexa de Castelo Branco».

O vereador social-democrata acrescentou ainda que «temos que ser contra o encerramento da empresa, pugnar pela criação de novos postos de trabalho e esta preocupação não se viu por parte do ministro». Joaquim Valente também não gostou do que ouviu e classificou de «absurdas, despropositadas e infelizes» as declarações de Manuel Pinho sobre os despedimentos da Delphi, «um drama da Guarda». O edil solicitou de imediato uma reunião com o governante – que se concretizou na sexta-feira, nas Minas da Panasqueira – para esclarecer o assunto, mas sobretudo para pedir ajuda: «Agora, mais do que nunca, precisamos de medidas que minimizem o impacto deste problema», sublinhou, que reclama investimentos mais sustentáveis. «A Guarda pode oferecer aos empresários uma óptima localização, boas infraestruturas físicas e estou convicto que a Plataforma Logística resolverá parte do problema, mas o Governo tem que acelerar o processo», apontou.

É que os empresários e a autarquia «não podem fazer este caminho sozinhos, é preciso que o investimento seja distribuído equitativamente por todas as regiões», garantiu. Mas nem tudo são más notícias. Na sexta-feira foi inaugurado na cidade o armazém de uma empresa de distribuição farmacêutica, que vai criar cinco postos de trabalho. «A solução pode estar nestas empresas mais pequenas, com menos trabalhadores, mas mais sustentáveis», disse Joaquim Valente, admitindo que a Câmara não tem garantias da continuidade da Delphi para além de 2007. «Esta indústria assenta em bases que são susceptíveis de inverterem estratégias de um momento para o outro. Se não houver encomendas, seguramente que não há trabalho», adiantou.

Luis Martins

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