P- O que a levou a assumir a presidência da Casa do Menino Jesus. Antes, já estava ligada à instituição?
R- Com a demissão da anterior direção e consequente abertura de processo eleitoral, eu e um grupo de sócios da instituição considerámos que poderíamos dar o nosso contributo, trabalho e dedicação em prol da Casa do Menino Jesus. Sendo a única lista que se apresentou, fomos eleitos. Contamos com o contributo de todos os sócios e amigos desta Casa para continuar e alargar o espírito social, que é muito forte, da instituição. Tendo como principal missão o apoio às crianças e jovens desfavorecidos que acolhemos, não podemos esquecer as nossas outras valências – creche e jardim-de-infância – que também se revertem de cariz social. Estou desde há muito tempo envolvida em causas associativas e sociais, o meu contributo não se esgotou ou esgotará nesta instituição, na qual já desempenhei durante três mandatos a função de tesoureira e neste último como membro da mesa da Assembleia.
P- Quais são as prioridades?
R- Não estando hierarquizadas, temos como prioridades angariar mais sócios e beneméritos, alargando o mais possível à região e mesmo ao país; estabelecer e/ou melhorar protocolos com associações de diferentes áreas, possibilitando uma ligação mais assídua e profícua para proporcionar atividades diferenciadas aos nossos meninos, como por exemplo, na área do desporto e na área da cultura; continuar a colaboração com a CPCJ da Covilhã, bem como com as dos concelhos vizinhos; continuar com a implementação do sistema de qualidade e formação anual de todas as colaboradoras.
P- Que projetos tem para a Casa do Menino Jesus?
R- Os projetos são vários, e também não os querendo hierarquizar, podemos destacar o objetivo de dar a conhecer aos sócios o trabalho realizado diariamente, quer a nível interno quer a nível externo de todas as valências: lar de infância e juventude, creche e jardim-de-infância; dotar todo o edifício de um sistema de climatização mais eficiente e ecológico; fazer obras de melhoramento/decoração dos quartos e salas de convívio do lar de infância e juventude; estabelecer protocolos de cooperação entre diferentes entidades e empresas da região; comemorar em 2018 o centenário da instituição, com atividades distribuídas ao longo do ano e com o envolvimento de todos os sócios, colaboradores e sociedade civil.
P- Atualmente, quais são as principais dificuldades?
R- O nosso caso não é exceção no país e as nossas maiores dificuldades são a nível financeiro: os apoios diminuem e as despesas caminham em sentido inverso. Apesar deste cenário não iremos baixar os braços. Perante este contexto adverso muitos têm sido aqueles que se têm aproximado de nós questionando qual a melhor forma de ajudar a Casa. A nossa resposta tem sido bem simples e vai desde o simples convite para se tornar sócio, que tem um custo mensal de apenas 0,50 euros, até ao donativo em dinheiro ou espécie.
No fim do dia o que nos interessa é que, apesar das dificuldades, a boa vontade da comunidade nos tem deixado continuar a trabalhar em prol das “nossas” crianças, estas sim e a sua felicidade são o mais importante.
P-A capacidade de acolher jovens está neste momento esgotada, ou têm capacidade para mais?
R- A ocupação do lar infância e juventude não é estanque e como tal vai variando. Neste momento temos capacidade para acolher 32 crianças e jovens, com mais cinco vagas para casos de emergência. Atualmente temos 28 crianças em acolhimento.
P- Em que é que os casos polémicos, denunciados nos últimos meses, afetaram a credibilidade da instituição?
R- Sendo a Casa do Menino Jesus uma instituição centenária é reconhecido pela sociedade civil o seu trabalho meritório no apoio a crianças e jovens. Este trabalho não pode nunca ser esquecido, assim como não podem ser esquecidas todas as pessoas que tanto deram e têm dado o melhor de si à Casa ao longo destes cem anos. Não podemos confundir a árvore com a floresta; os casos que vieram a público estão (e bem) sob investigação das autoridades competentes, aguardamos serenamente pela conclusão dos mesmos. Assim, sendo verdade que alguns, uma minoria é certo, podem pôr em causa a credibilidade, são muitos os que não deixam de apoiar a causa, que é a Casa do Menino Jesus, louvando e apoiando quem na Instituição vive e trabalha.
Perfil:
Presidente da Casa do Menino Jesus
Idade: 49 anos
Naturalidade: Covilhã
Profissão: Professora do ensino secundário e 3º Ciclo
Currículo: Doutoramento em Didática da Matemática
Livro preferido: o primeiro que me lembro de ler, tinha cerca de 8 anos: “Mulherzinhas”, de Louise May Alcott
Filme preferido: há vários, mas aquele que me vem logo à ideia é “A vida é Bela”, de Roberto Benigni
Hobbies: Ler, tricot



