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«A UBI é a primeira e a grande universidade do meu chão»

Ramalho Eanes recebeu doutoramento Honoris Causa da Universidade da Beira Interior

Foi com «honra» e «orgulho» que o general Ramalho Eanes recebeu o doutoramento Honoris Causa da Universidade da Beira Interior (UBI), na última segunda-feira, dia em que a instituição comemorou o 26º aniversário. O antigo Presidente da República foi aplaudido por centenas de pessoas que encheram o grande auditório da Faculdade de Ciências da Saúde.

Natural de Alcains, Ramalho Eanes não esqueceu as suas origens na hora de aceitar o convite, confessando que sentiu «reticências» para o fazer e ponderou «que bem poderia esta honraria proporcionar aos outros», interrogando-se «sobre as eventuais consequências benéficas para a UBI e para os meus conterrâneos beirões». Decidiu então aceitar, até porque a «UBI é a primeira e a grande universidade do meu chão, um chão muito especial para mim» e do qual retém as mais «profundas e gratas memórias», realçou, emocionando-se quando falou dos seus pais. Durante a sua intervenção, o antigo Presidente da República destacou a importância das universidades numa «nova era», em que cada pessoa se deve preparar para «tarefas imprevisíveis» e em que «o mesmo homem pode ter de mudar várias vezes na vida de aparelhagem mental». Num mundo «cada vez mais globalizado e incerto», as universidades «devem contribuir para transformar o risco em oportunidades», frisou.

O general deixou ainda uma mensagem a todos quantos trabalharam e trabalharam na UBI: «Era meu dever prestar homenagem a todos os que sonharam, conceberam, realizaram e realizam esta universidade porque enquanto instituição está, a cada momento, a fazer-se mais e melhor», disse. No final da cerimónia, questionado pelos jornalistas, Ramalho Eanes destacou o «desenvolvimento extraordinário» registado na região, defendendo que «não há semelhança nenhuma, em qualquer aspeto que seja, entre aquilo que era no meu tempo e o que é hoje». Reforçou que na Beira onde nasceu «sente-se que se procura o futuro, que há empenhamento nisso, o que naturalmente é gratificante». O ensaísta Eduardo Lourenço foi o padrinho de doutoramento e considerou o homenageado «um dos dois grandes protagonistas da história contemporânea de Portugal», a par de Mário Soares.

O pensador afirmou estar a «apadrinhar quem não precisa de padrinhos», recordando que Ramalho Eanes nasceu no ano da morte de Fernando Pessoa. Sustentou que depois de ter concluído os seus dois mandatos como Presidente da República, o general mostrou que «há vida para além da política» e que «após ter deixado as suas funções presidenciais nunca se tentou a revestir a pele de salvador da pátria e regressou à sua condição de cidadão comum». Já o reitor da UBI considerou que «os traços de união entre padrinho e doutorando transcendem, em muito, as raízes comuns na região da Beira Interior e culminam, nas respetivas esferas de intervenção, na demarcação em relação às correntes dominantes e na compreensão da identidade portuguesa, da sua projeção e do lugar de Portugal na arena internacional».

João Queiroz justificou este reconhecimento a Ramalho Eanes pelo seu «imenso contributo para a democratização do país e para a sua inserção entre as Nações democráticas e desenvolvidas», sendo que «mais não fazemos do que render uma justa e reconhecida homenagem, que também nos prestigia, a um dos mais influentes estadistas do nosso tempo». O reitor realçou que o homenageado «influiu, de modo decisivo, no curso dos acontecimentos de um período particularmente conturbado como foi o do processo revolucionário, tendo ainda lançado as bases para a pacificação nacional e para a afirmação de Portugal no concerto das nações».

UBI Medical concluído até final do ano

No discurso de comemoração do 26.º aniversário da UBI, João Queiroz considerou «determinantes» para o futuro da instituição dois acontecimentos. O primeiro é a conclusão, «no curto prazo» do UBI Medical, que «consubstancia a criação de um espaço de excelência» no sector da saúde, envolvendo as «vertentes de investigação e transferência de conhecimento, com ligação privilegiada às instituições da região e de incubação de empresas nascentes de projetos de vários parceiros do programa estratégico Inovida. O reitor acredita que o UBI Medical vai potenciar a «captação de investimento nacional e internacional e a atração e fixação de recursos humanos qualificados». O responsável indicou que o equipamento vai ocupar três mil metros quadrados de área construída que se «ergue a bom ritmo» nas imediações da Faculdade de Ciências da Saúde e a conclusão está prevista para o «final do ano em curso». O outro acontecimento determinante para o futuro da UBI foi a recente aprovação do “Plano 2020”», documento onde se explicitam os «grandes eixos e objetivos estratégicos da Universidade para os próximos oito anos», daí constituir um «guia efetivo de referência para as iniciativas e ações a empreender num horizonte temporal mais dilatado, contribuindo para uma maior estabilidade governativa». Durante a cerimónia, a UBI celebrou protocolos com os Centros Hospitalares da Cova da Beira e de Vila Nova de Gaia/Espinho, bem como com a DLC – Distance Learning Consulting e ainda com o SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que permitirá que a internacionalização da UBI ganhe «um novo impulso».

Ricardo Cordeiro Eduardo Lourenço considerou Ramalho Eanes «um dos dois grandes protagonistas da história contemporânea de Portugal»

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do meu chão»

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