Procurou entre os seus papéis a certidão. Uma fórmula institucional de garantir que estava ali por direito. Não conseguiu. Que lhe fiz? Procurou o passaporte e também ele faltava. Tinha a certeza de ter colocado tudo na carteira. Caramba, não teria sido esta? Olhou de novo, cor azul, aquele brilho nas alças, o forro com pardais. Foi nesta, não me enganei – pensou. Agora estava apreensiva, com alguma irritação até. Não me digam que fui roubada. Pensou, vasculhou, reviu e nada.
– Olhe não sei que fiz aos documentos, embora esteja convencida que os coloquei na carteira.
O polícia sorriu, fez duas graçolas tontas e ela voltou a remexer na carteira e nos bolsos da parca. A conclusão seria a mesma. Nada!
– Vamos ter de a multar, disse voltando a sorrir.
Bem, na verdade, isto tudo foi uma brincadeira dos “apanhados” – explicou. Temos um carteirista que vos retira algo da carteira e depois pedimos por aquilo que nós retirámos. Estamos a filmar as reações ali daquela caixa com vídeo escondido.
– O senhor não é polícia? – questionou. Ele acenou com a cabeça sorrindo. Era ator.
Zás, trás, ecoam no ar duas valentes chapadas. Ela, que tinha muito mais que fazer, que se enervara com a história, rubricou os acontecimentos com o mais escandaloso par de bofetadas registados em programas diretos da televisão.
Abençoado par – pensei eu!
Por: Diogo Cabrita


