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A dança das cadeiras

Editorial

1. A propósito da exoneração de António Lamas da presidência do Centro Cultural de Belém ouvimos um coro, maioritariamente, contra a decisão do Ministro da Cultura. Para os que acompanham há muito o trabalho do programador e gestor cultural, João Soares demitiu António Lamas para poder nomear um “dos seus” sem avaliar devidamente a qualidade do trabalho do então presidente do CCB. Para outros, foi para “arranjar” lugar para um “boy”. E quase todos se esqueceram de um pormenor determinante: o ministro tinha legitimidade para ter num lugar chave, como a presidência do CCB, alguém da sua confiança, que convergisse com as orientações da tutela e que cumprisse com o dever de lealdade ao ministro. Ora, António Lamas deixou claro que não aceitaria a intromissão do ministro da Cultura no seu trabalho e não convergiria com as determinações do ministério, portanto, não poderia continuar no lugar. E deveria ter pedido a demissão do cargo, para que fora nomeado pelo governo anterior – teve a confiança do anterior governo, não tinha a confiança deste. Outra coisa foi a forma como João Soares geriu o processo, exigindo a demissão do gestor na praça pública e promovendo o saneamento político de um gestor respeitado, competente e qualificado, para nomear Elísio Summavielle, um camarada, de confiança, socialista e membro da mesma loja maçónica (e não há nada mais incongruente e obtuso que ver que 40 anos depois de conquistada a democracia uma organização mafiosa como a maçonaria continua a ter fulgor na sociedade e lugar no poder).

É assim em relação a António Lamas como deveria ser assim com todos os que foram nomeados pelos governos ou tomaram posse dos seus lugares num contexto político-partidário.

Os governos, para não ouvirem críticas de “jobs for the boys”, promoveram concursos públicos, balizados e desenhados de acordo com as necessidades (perfil dos afilhados e militantes). Uma farsa impressionante que enlameia a forma como a contratação de pessoal é feita – por isso, seria mais honesto assumirem que nomeiam pessoas da sua confiança para lugares de chefia do que contratarem pessoas de duvidosa qualificação ou capacidade que, depois, ficam com currículo “superior” para poderem concorrer aos lugares intencionalmente abertos na função pública.

2. Na Covilhã, Miguel Castelo Branco colocou o lugar à disposição da tutela, permitindo assim o regresso, sem atribulações, de João Casteleiro à presidência do Centro Hospitalar da Cova da Beira (parece que na Covilhã mais ninguém, além deles, tem qualificação, competência ou apoio político para liderar o hospital).

Na Guarda, Carlos Rodrigues não se demite. Devia ter colocado o lugar à disposição, pois foi nomeado politicamente e só lhe foi reconhecida uma competência especial enquanto presidente da ULS: contratar os apaniguados de Álvaro Amaro. Enquanto não houver nova liderança na distrital do PS, o CA da ULS fica à espera de indemnização – esperemos que o governo tenha dinheiro para exonerar o CA e despedir todos os contratados em concursos duvidosos. No IEFP da Guarda, Couto Paula já foi substituído por um “regressado” Américo Paulino, e o governo acabará por mudar os demais lugares de confiança política, os tais que deviam demitir-se antes de serem demitidos.

Luis Baptista-Martins

Comentários dos nossos leitores
gustavogusta25vo@hotmail.com
Comentário:
So mostra que a administraçao da ULS tem falta de etica, coisa que segundo costa internamente o sr presidente diz ter as paletes
 

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