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Descargas poluentes no rio Noéme continuam

Está tudo pronto para que efluente industrial seja encaminhado para a ETAR de São Miguel mas continua a ser depositado no rio Diz, afluente Noéme

Há muito que a poluição do rio Noéme é contestada e continua por resolver. O assunto voltou de novo à ordem do dia depois das Águas de Lisboa e Vale do Tejo (ALVT) terem confirmado ao Núcleo Regional da Quercus que o efluente industrial proveniente da Têxtil Manuel Rodrigues Tavares ainda não é encaminhado para a ETAR de São Miguel, sendo descarregado nos últimos metros do rio Diz, afluente do Noéme.

O coordenador distrital da associação ambientalista relata que em agosto passado «tivemos conhecimento de uma resposta dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) da Guarda que dava conta que o coletor e a respetiva estação elevatória de condução do efluente para a ETAR estavam concluídos». Nessa altura também foi dito que tinha sido instalado um painel de sondas, que permite o conhecimento online da composição química do efluente. A ausência desse medidor tinha sido «o argumento apresentado em novembro de 2014, pelo presidente da Câmara da Guarda, para justificar a manutenção do problema», recorda Bruno Almeida. Na reunião do passado dia 12, a ALVT terá ainda comunicado que «não recebeu resposta dos SMAS e da fábrica à sua última comunicação de 2014 – a pedir um novo estudo sobre a capacidade de tratamento da ETAR», tendo em conta o caudal e carga poluente do efluente industrial.

Perante o impasse, no passado dia 16, a Quercus oficiou à autarquia e aos responsáveis pela unidade industrial que «esclarecessem publicamente os cidadãos sobre as razões do prolongamento deste problema e sobre o que vão fazer para a sua resolução». Contactado por O INTERIOR, o diretor da empresa Manuel Rodrigues Tavares declarou que «já houve um investimento avultado» para que as descargas passem a ser feitas para a ETAR de São Miguel. «Neste momento estamos a ultimar estes investimentos para que sejam atingidos os valores necessários», acrescentou Pedro Tavares, admitindo que se trata de «um processo longo, com tratamentos biológicos». Os valores exigidos na ETAR são «muito baixos, neste momento já estamos atingir 70 vezes menos que os valores iniciais, acreditamos que em breve vamos conseguir». O empresário garante que «tudo está a ser feito» para que a situação se resolva e que da parte da Câmara «tudo foi feito para que as águas fossem conduzidas para a ETAR».

A mesma garantia deixou o presidente do município, que afirma que «a Câmara tem o trabalho todo feito». Dizendo que a situação no rio Noéme «não agrada a ninguém nem a mim», Álvaro Amaro considera a despoluição, valorização e eventual recuperação do rio é «um assunto estruturante» e por isso a autarquia «assegurará a sua cota parte do investimento necessário, mas outros também tem que fazer o seu trabalho». O edil refere-se à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, à Agência Portuguesa do Ambiente e à própria empresa, a quem vai pedir uma reunião conjunto para solucionar este problema. Por sua vez, Joaquim Carreira, natural de Vila Fernando, diz-se «chocado» com o estado do Noéme, onde pescou «muitas vezes» quando era jovem. «A cidade nunca soube tratar desse assunto como deve ser», lamenta o vereador socialista na Câmara, dizendo recear que a despoluição seja adiada: «É lamentável que o Noéme esteja assim há mais de 20 anos», afirma. De acordo com Bruno Almeida (ver entrevista na página 2), ainda esta semana a Quercus vai reunir com os responsáveis da empresa têxtil.

Ana Eugénia Inácio Quercus pede esclarecimentos à Câmara Municipal e empresa têxtil

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