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“Vamos pintar o cinza de verde” para reflorestar a Quinta da Maúnça

Iniciativa da Câmara da Guarda envolveu dezenas de crianças das escolas do concelho

“Vamos pintar o cinza de verde” é o nome de uma acção de sensibilização levada a cabo pelo pelouro do Ambiente da Câmara da Guarda na Quinta da Maúnça, com o objectivo primordial de proceder à reflorestação da zona ardida naquele espaço educativo no último Verão. Há cerca de 27 mil árvores disponíveis para plantar na Maúnça e um pouco por todo o concelho, pois também as 55 Juntas de Freguesia do município estão a ser contempladas com a oferta de árvores.

A iniciativa conta com o apoio das escolas básicas e secundárias da Guarda, Quercus, GNR, PolisGuarda, Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), que ofereceu cerca de 25 mil árvores, e da Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior (DRABI), que contribuiu com aproximadamente 1.500 espécies. Susana Rebelo, engenheira florestal da Quinta da Maúnça, garante que se vai aproveitar para plantar o «máximo possível» de árvores numa área tornada “cinzenta” pelos incêndios do ano passado. As árvores autóctones a introduzir são, na sua grande maioria, carvalhos, isto «para manter as espécies que já existiam», mas o objectivo também é criar «pequenas malhas» de outras árvores, como os castanheiros. A área em causa tem cerca de vinte hectares e foi limpa, pelo que será reflorestada consoante «as possibilidades das pessoas que conseguirmos», frisa Susana Rebelo. «Trata-se de unir um pouco o útil ao agradável», garante, aludindo ao facto de envolver as crianças numa tarefa tão importante como é a revitalização das zonas devastadas pelos incêndios.

Entretanto, os presidentes de Junta já foram informados de que podem vir buscar árvores, tendo sido cedidas cerca de 5.500, o que, a dividir pelas 55 freguesias do concelho, significa que cada localidade vai ter direito a cerca de 100 árvores. Alguns autarcas já responderam ao apelo e foram buscar árvores à Quinta da Maúnça, não só para reflorestar algumas áreas, mas também para «melhorar» outras, «preferencialmente» em contacto com as crianças que não podem participar nas actividades desenvolvidas no espaço educativo. «Toda a reflorestação deve ser feita durante o Outono e o Inverno para aproveitar a época das chuvas», pelo que a partir desta primeira semana de Março «já é um risco» continuar com a reflorestação, porque «pode vir calor», adverte a engenheira florestal. Contudo, para que as árvores agora plantadas atinjam um tamanho aceitável, sem correrem risco de se perderem, ainda é preciso esperar entre 10 a 15 anos, pelo que «convém fazer uma manutenção para evitar incêndios», como proceder à sua limpeza e verificar as árvores que se vão perdendo de forma a serem substituídas.

Ricardo Cordeiro

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