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PS vai do céu ao inferno em quatro anos

Depois de uma grande vitória de Joaquim Valente em 2009, José Igreja sofre uma derrota estrondosa em 2013, tendo perdido 6.753 votos na eleição para a Câmara da capital do distrito

Depois de atingir o céu em 2009, quando obteve um dos seus melhores resultados, o PS bateu no fundo nas autárquicas deste ano com José Igreja a ter o pior score de sempre dos socialistas na Guarda. A capital do distrito já não é um bastião PS após a hecatombe do passado domingo.

O pior pesadelo dos socialistas conta-se em poucos números: menos 6.753 votos que em 2009 (13.976 contra 7.223 em 2013), cinco vereadores para a coligação PSD/CDS-PP, apenas dois para o PS, menos 16 deputados municipais (31 em 2009; 16 este ano) e menos Juntas apesar de ter apresentado listas em mais freguesias que o principal adversário. O resultado é uma maioria absoluta para Álvaro Amaro e o fracasso estrondoso de José Igreja e de Joaquim Valente, cabeça de lista à Assembleia Municipal, num cenário que os eleitores mais céticos provavelmente nunca imaginaram e menos os dirigentes e apoiantes do PS, que governa a autarquia há 37 anos. Pouco depois das 21h30, numa sede em desalento, José Igreja expressou a sua desilusão com os resultados e «a grande mágoa» por perder «uma Câmara que foi sempre do PS».

O candidato fez questão de assumir «sozinho as culpas e responsabilidades» pelo desaire, dizendo que foi «o único culpado porque não soube conduzir a minha equipa, ou esta não esteve comigo». Referindo que «a reflexão sobre o que se passou não pode ser feita em cima dos acontecimentos», José Igreja sempre acrescentou que não conseguiu «passar a mensagem, nem convencer os eleitores de que tinha a melhor equipa, nem unir as “tropas”, essa é a responsabilidade de um líder». Irónico, acrescentou: «Tenho cabedal suficiente para carregar esta culpa pela derrota, não preciso de culpar ninguém». De resto, José Igreja disse que vai ser vereador no novo executivo e promete ser «oposição digna e forte» apoiando Álvaro Amaro «quando fizer bem» e estar «contra ele quando não o fizer». Por isso, do novo presidente espera que «trabalhe e que faça o melhor pela Guarda».

Quanto ao PS, considerou que o partido «está de pé e irá ganhar as próximas eleições, não tenho dúvidas nenhumas». Por sua vez, Joaquim Valente assumiu ter ficado surpreendido com o resultado: «Estávamos a contar que continuássemos a ter a confiança do eleitorado que sempre foi fiel ao PS na Guarda», afirmou, atribuindo a derrota ao surgimento da candidatura independente de Virgílio Bento. «Quando se divide o resultado não é o mesmo que quando se soma. Perdemos porque houve uma divisão no seio do PS que penalizou o partido e José Igreja», acrescentou o presidente da Câmara cessante, que também ele não quis apontar o dedo a mais ninguém. «Quando perdemos, perdemos todos», afirmou. O mesmo fez Nuno Almeida, apesar de realçar que «cada um deve pensar o que podia ter feito mais para evitar esta derrota pesada do PS». Contudo, face aos resultados de domingo, o presidente da concelhia anunciou que vai apresentar a demissão do cargo. O descalabro socialista na Guarda foi analisado anteontem à noite pelo secretariado da secção, que também deve ter decidido se convoca o secretariado da concelhia ou uma reunião da comissão política para analisar as autárquicas.

Luis Martins Valente e Igreja viveram pesadelo no domingo à noite

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