Bilhete Postal de Diogo Cabrita: O cubo

Escrito por Diogo Cabrita

A realidade deve ser um cubo, e evitar apresentar-se como um quadrado simples, que esconde as cinco faces restantes.

A maior abrangência do real é supormos um cubo inclinado na perspetiva de observarmos três faces, ou se quiserem três verdades. Um ser humano é social, mental, biológico, circunstancial, genético e celular. Nunca estes capítulos são observáveis em simultâneo. Nunca, o conhecimento do outro, integra a totalidade das verdades do cubo. Por outro lado, cada face é um título cheio de capítulos. A mente é emoção, razão, memória, comportamento, atitude, relação. A circunstância é ambiente, tempo, política. A genética é isso mesmo com suas consequências boas e más. A célula é o homem só, o ser na completa solidão, as características da pessoa sem observação.

Serve este texto para entender como a ferocidade ideológica se está a impor no mundo. Os que não concordam com algumas evoluções encontram um radicalismo bizarro que só se pode combater com uma bizarria igual. A face única a derrubar outras cinco.  Os actores são cada dia mais bufões, mas carregam com eles os silêncios das cinco faces que não querem mostrar. São bufões, como os cantores da eurovisão que vestem a música que não cantam. Imaginem que se candidatam à Assembleia da república trajados com as bizarrias da eurovisão! O nosso Aguiar Branco de lantejoulas e cabelo lilás!

O cubo sempre colocado a duas dimensões. A realidade é um facto cheio de faces e de “sensibilizantes” como o cheiro, a cor, a emoção que desperta. A fotografia da mulher que um selvagem borrifa com fogo em Paris tem tudo isso, mas falta saber quem ele é, porque estão ambos ali, o que disse ela, que fizeram os amigos dele, etc.

O discurso não deve ser para sonegar informação usando um só contexto. Neste esquema viscoso agarram audiência pouco critica, mas muito empenhada ou dependente. Ter um emprego bom implica cedências e sujeições? Parece que sim. Ter palco no mundo das artes obriga a determinadas construções de posicionamento? Obviamente que a aceitação carrega mimetização e desse modo ser aprovado no grupo. A roupa já era assim. Vestimos ideias e conceitos. Não se vai de fato e gravata defender o povo de Gaza! Leva-se o Che de volta a Cuba. Preparamos a roupa do casamento.

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Diogo Cabrita

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