Opinião de Albino Bárbara: O John tem razão

Escrito por Albino Bárbara

A estupidificação ideológica existe. A contradição do Alcorão também. O aproveitamento por parte dos burantinos do sistema é uma constante. O grande irmão cada vez mais quer zelar por nós e o czar planeia colocar um ponto final na revolução bolchevique, dando para tanto ordem de serviço aos 59 apparatchiques para-lamentares.
E enquanto os fascistas se encatrafiam na galé deixando que, na vila, o nevoeiro quase escondesse o mar, os meliantes oriundos da velha Europa, tentam fazer-se passar por filhos da raça humana, que, à porta fechada, vão cantando os Rapazes e Raposas do B Fachada, naquele reino de Nabonidu onde a crítica é doentia, de fobia social sem precedentes.
Se não é o óxido nitroso ou alguma dose de anfetaminas a coisa até poderia ser séria. E se calhar até é.
Olhando para o último fim de semana, salta-nos à vista a vitória na primeira volta de Bolsonaro (na América do Sul, excetuam-se o Uruguai e o Brasil) e em Espanha onde Feijóo e o PP já deitam foguetes com o anúncio de eleições para 29 de novembro, onde Feijóo, o líder mais bronco que os conservadores já tiveram, quer levar ao colo os fascistas do Vox. Para tanto basta dar um pulinho aqui mesmo ao lado, governo autonómico de Castilha e León, para verificarmos o que aconteceria se o Partido Popular viesse a ser poder.
Deixando de lado o fórum fascista e os avanços da extrema-direita, centremo-nos na inauguração da nova escola secundária de Cascais, onde foi gasto qualquer coisa como 175 mil euros provenientes do PRR. É obra…
Também aqui o barô chegano fez duras críticas à transparência, transparência essa liderada por um dos seus vassalos. Realmente, há balões que se enchem e esvaziam muito rapidamente, isto para não aplicar a máxima do cuspir para o ar.
Entre outras coisas, esta cerimónia teve bênção. Bênção católica, violando de forma grosseira a não confessionalidade do ensino público a que a dita escola se destina. Recorde-se que o Estado é laico e as igrejas e comunidades religiosas estão separadas do Estado, o que faz com que, desde 2006, as igrejas deixassem de fazer parte do protocolo do Estado.
E nem precisamos de recuar a abril de 1911, ou mesmo à década de 40, quando o rapaz de Santa Comba assinou com o Estado do Vaticano uma espécie de acordo que pomposamente designaram por Concordata, tendo o então bispo da diocese do Porto, Ferreira Gomes, afirmado «A Concordata é clerical e o regime uma ditadura católica».
E como não há duas sem três, e porque a emenda é sempre pior que o soneto, aparece um tal Barroso, em 2004, a «reformular alguns artigos» conseguindo com isso mais umas tantas interferências católicas em assuntos de Estado e da sociedade civil.
Já agora… Quando assistimos a certas cerimónias oficiais e logo na intervenção inicial, após ter sido feita referência às várias entidades presentes, a citação termina assim “restantes entidades, civis, militares e religiosas”. Militares e civis, vai não vai… Religiosas??!!! Em 99,999%, para não referir os 100%, só convidam uma. A mesma de sempre… Pasme-se… Isto num Estado laico, melhor dizendo, muito pouco laico.
Para não citar Russel ou uma eventual peregrinação de Pinto, façamos o caminho de Santiago e tomemos como destino Damasco e, aí sim, na encruzilhada do destino, na hesitação, dá para refletir e perceber a existência de alguns usos, certos costumes, variadas tradições, permanentes tiques e muitos repeniques que estão vivos e enraizados neste cantinho à beira mar plantado, onde a defesa dos valores republicanos deveriam ser uma constante, o laicismo uma escola de virtude, a democracia e a Liberdade a importância máxima das nossas vidas.
Afinal, Lennon tem completa razão.

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Albino Bárbara

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