Há quatro anos que a Associação Terceira Pessoa e o Estabelecimento Prisional (EP) da Guarda apostaram no projeto “Radioatividade”, que, ao longo do tempo, tem evoluído junto dos reclusos e do público da cidade.
Através da rádio interna “Guarda-me”, os reclusos fazem emissões a contar histórias, memórias, passam músicas, declamam poemas, entre outras atividades que têm feito a rádio do estabelecimento prisional da Guarda destacar-se neste universo de rádios prisionais. «Um projeto que começou no teatro e acabou num estúdio de rádio improvisado», recorda um dos responsáveis, Óscar Silva, diretor artístico da Terceira Pessoa, que acompanhou a criação da rádio no EP Guarda desde o primeiro minuto. «Estamos a fazer um trabalho de desconstrução de preconceitos e de acesso à inclusão social, pelo que o projeto tem um impacto muito positivo para a sociedade civil», acrescenta o responsável.
A rádio “Guarda-me” foi um sucesso de tal forma que a Fundação Calouste Gulbenkian, uma das parceiras do projeto, decidiu financiar o seu alargamento a mais quatro estabelecimentos prisionais, nomeadamente em Bragança, Matosinhos, Coimbra e Grândola. O projeto integra a rede internacional de rádios prisionais – onde irão ser preparadas peças de teatro radiofónicas, segundo adianta Óscar Silva a O INTERIOR. O diretor do Estabelecimento Prisional da Guarda, Luís Couto, garante que projetos como o “Radioatividade” «são essenciais na reinserção social dos reclusos. Em 2013, através de um apoio da DGArtes, decidimos apostar num estudo para perceber o impacto destas iniciativas nos reclusos, e as avaliações foram muito positivas». O responsável acrescenta que os comportamentos dos reclusos «mudam muito à custa desta intervenção artística» e garante que a cadeia da Guarda vai «continuar a ter projetos adequados à modificação dos comportamentos destas pessoas».
Ao longo dos anos o EP da Guarda tem aproveitado os «financiamentos para projetos deste género e, quanto tivermos a possibilidade de fazer estas candidaturas, vamos ter estes projetos», promete Luís Couto.
“Radioatividade” a concurso para prémio europeu.
O “Radioatividade” – Expansão Nacional, projeto da Terceira Pessoa, é um dos 20 projetos finalistas do Art Explora – European Award 2026. As votações estão a decorrer até à próxima segunda-feira, 12 de outubro. Dois dias depois o júri reúne e os vencedores serão conhecidos a 24 de novembro.
É o único projeto português a concurso e está a competir por um prémio de 40 mil euros na “Categoria 2 – Cultural Organisations”, para a qual estão a concurso mais seis iniciativas. O projeto também é candidato ao Prémio do Público, no valor de 30 mil euros. A votação pode ser feita através do link https://vote.artexplora.org/projet/radioactivity?lang=en. O júri é composto por nove personalidades de diferentes países, numa competição levada a cabo pela Art Explora, organização internacional sem fins lucrativos criada em novembro de 2019 pelo empresário, investidor e filantropo francês Frédéric Jousset. Este prémio europeu anual apoia financeiramente organizações culturais que desenvolvem projetos inovadores para aumentar o acesso, a participação e o envolvimento do público com as artes, segundo adianta a organização através dos meios oficiais.



