Opinião de José Valbom: Área de Acolhimento Empresarial de dimensão Nacional na Guarda

Escrito por José Valbom

Em boa hora o Sr. ministro da Economia e da Coesão Territorial e o Governo decidiram criar seis novas Áreas Industriais distribuídas pelo país sendo duas na região centro – uma no litoral e outra no interior.
Por uma vez se está a pensar no interior e em coesão territorial. As gritantes assimetrias regionais necessitam de ações concretas, rápidas e eficazes, conforme o preconizado em nome de um Portugal “inteiro” e a crescer de forma equilibrada.
A Guarda é, hoje, um território particularmente bem posicionado para acolher uma das novas Áreas de Acolhimento Empresarial Estratégicas de dimensão Nacional, no contexto da Região Centro.
O concelho da Guarda, sede da Comunidade Intermunicipal da Região Beiras e Serra da Estrela (CIMRBSE), apresenta uma área de 712,1 km2 e uma população residente de cerca de 40.126 habitantes (Censos 2021). Inserido na CIMRBSE, o concelho integra uma realidade de maior escala, que abrange 15 municípios, totalizando cerca de 6.305 km2 e aproximadamente 236.023 habitantes, constituindo uma das mais extensas comunidades intermunicipais do país, desempenhando um papel relevante na promoção da coesão territorial e do desenvolvimento do interior.
A Guarda apresenta um conjunto de condições estruturais diferenciadoras em contexto nacional e ibérico. Equidistante de Lisboa e Madrid, localiza-se no principal corredor terrestre de ligação entre Portugal e Espanha, assume-se como plataforma natural de articulação logística entre o Atlântico e o espaço europeu.
Esta centralidade é materializada por infraestruturas estruturantes:
1) Convergência das Linhas da Beira Alta e da Beira Baixa; proximidade à fronteira ferroviária de Vilar Formoso; principal porta de entrada e saída de mercadorias em Portugal; porta ferroviária e rodoviária portuguesa para o espaço europeu. A Guarda recebe comboios de mercadorias de comprimento standard europeu (750 metros), otimizando os custos de tração por tonelada com ligação direta ao Corredor Atlântico Ferroviário, reduzindo o tempo de trânsito de mercadorias para o centro da Europa. Na Guarda, a infraestrutura ferroviária permite a transferência direta de contentores de comboios para camiões e vice-versa.

2) A ligação ferroviária de Alta Velocidade entre Portugal e Espanha integrada no Corredor Atlântico Europeu Aveiro-Viseu-Guarda-Salamanca representa uma oportunidade histórica para reforçar a competitividade, a coesão territorial e a integração económica do país no espaço europeu. A Guarda, pela sua posição estratégica no principal eixo terrestre ibérico, assume um papel relevante nesta visão de futuro, potenciando a mobilidade de pessoas, fixação de investimento e a criação de novas oportunidades empresariais.

3) O Porto Seco da Guarda, infraestrutura estratégica no contexto da logística internacional, funcionando como interface entre transporte ferroviário, rodoviário e cadeias de distribuição europeias, reforça a vocação natural do nosso território para a instalação de atividades industriais, logísticas e tecnológicas de grande escala. A sua articulação com os portos marítimos de Leixões e Aveiro, cria uma rede logística integrada com elevado potencial competitivo.

4) No plano rodoviário, a Guarda dispõe da A25, que liga todo o litoral Centro e Norte à fronteira espanhola, com ligação à zona centro de Espanha e a toda a Europa; a A23, que assegura a ligação à Guarda de todo o sul do país e da Área Metropolitana de Lisboa; e o IP2, que liga o território a Trás-os-Montes e Alto Douro, nomeadamente Bragança e Vila Real, com ligação próxima a algumas das principais vias rodoviárias de acesso à região espanhola da Galiza. A futura concretização do IC7, enquanto eixo estruturante e envolvente da Serra da Estrela, de ligação ao litoral Centro e à região de Coimbra, reforçará de forma significativa a acessibilidade e a integração económica do território.

5) No plano do ordenamento do território, o município da Guarda dispõe de um Plano Diretor Municipal (PDM) revisto e orientado para o investimento produtivo, garantindo previsibilidade urbanística, rapidez de decisão e segurança jurídica, fatores nucleares para investimentos estruturantes.
No PDM da Guarda, publicado a 18 de dezembro de 2025, estão previstos novos espaços destinados a atividades económicas. Um, com uma área de 405 Ha (4,05 km2), localizado junto à concordância da Linha da Beira Alta com a Linha da Beira Baixa, contíguo à A23.Estas vias, em conjunto, permitem um rápido e eficaz transporte de matérias-primas e materiais, de, e para, a Europa. Um outro, de menor dimensão, 63 Ha (0,63 km2), contíguo ao IP5, com ligação rodoviária próxima a norte com o IP2 e A25; e um terceiro, na interceção da A23 com a A25, com 35 Ha (0,35 Km2) e potencial expansão de 23 Ha (0,23 km2).

6) A Plataforma Logística e Empresarial da Guarda (PLIE), em fase de crescimento e consolidação, com uma área de 96 Ha (0,96 km2) e terrenos na sua envolvente com uma área de 579 Ha (5,79 km2), demonstra a capacidade efetiva do território para acolher novos projetos empresariais.
Os parques industriais e logísticos da Guarda (como a PLIE, Arrifana, Vale do Mondego e parque industrial) têm acessos diretos e dimensionados para o tráfego de veículos pesados de mercadorias, incluindo euro-modelares (gigaliner) de 25,25 metros e 60 toneladas. As vias de acesso secundárias e rotundas de distribuição interna das zonas empresariais foram desenhadas com raios de curvatura adequados para veículos de grande tonelagem.

7) A Guarda tem vindo a desenvolver uma aposta coerente e consistente na promoção de habitação a custos controlados, elemento determinante para a fixação de população, atração de mão de obra qualificada e sustentabilidade dos projetos empresariais.

A competitividade económica global, e esta afirmação clara da política de coesão territorial defendida pelo Governo necessita de ações concretas, consistentes e rapidez na decisão.
A sua operacionalização deve ser conforme o estudado e planeado – seis áreas. A possibilidade eventual da segmentação destas seis áreas, em múltiplos de menor dimensão, reduz a sua competitividade externa, a sua rentabilidade e sustentabilidade, dificulta a gestão e aumenta a carga burocrática.
Este modelo de desenvolvimento coeso, sustentável, económico-socialmente e ambientalmente, aponta para o interior. As razões atrás expostas conduzem-no para a Guarda. A Guarda está preparada! A Guarda aguarda!!

* Líder do grupo municipal da coligação Pela Guarda/Nós Cidadãos na Assembleia Municipal da Guarda

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José Valbom

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